Esconjuro

Por Valdez Gomes

Dia desses peguei na minha (ainda) vazia estante um livro para ler com minha pequena. Escolhi “As Cem Melhores Crônicas Brasileiras”, coleção de clássicos pitorescos, entre os escritos há textos do vascaíno Carlos Drummond de Andrade e do tricolor Nelson Rodrigues, gente desse quilate. Mas foi numa crônica do irmão de Nelson, Mário Filho, (jornalista rubro-negro que dá nome ao Maracanã) que nos debruçamos juntos.

Por se tratar de textos adultos, escolhi um com o qual ela pudesse ter mais facilidade de compreensão e mais lúdico. Lemos “O Sapo de Arubinha”.

Para quem não conhece, nesse texto, Mário Filho narra a inacreditável, porém real, história de uma suposta praga rogada sobre o time do Vasco no final dos anos 30. Resumindo a história: Reza a lenda (?) que naquele 30/12/37, Vasco e Andaraí se enfrentariam numa noite de temporal no estádio das Laranjeiras e tudo o que o frágil Andaraí temia era ser goleado pelo Cruzmaltino.

Ocorre que a delegação vascaína sofrera um acidente de trânsito, atrasando-se para a partida. Em respeito aos feridos, o time do Andaraí recusou a possibilidade de ser considerado vencedor sem jogar, fazendo uso do W.O., e aguardou considerável tempo (debaixo de um verdadeiro dilúvio) pelo adversário. Partida iniciada, o Andaraí esperava gratidão do Vasco e imaginava um jogo menos acirrado. Perder de pouco, que honra!

Pois bem, o jogo terminou 12 a 0 para o time de São Januário. Arubinha, entre os derrotados, furioso praguejou que o Vasco ficaria 12 anos sem gritar “campeão!”.

A praga durou longos 11 anos e rendeu muito sofrimento e dor de cabeça para torcedores e diretoria da época. Arubinha estava vingado.

Dias de hoje…

Essa semana, véspera dessa final de turno, vencida nos pênaltis pelo Flamengo, fiquei pensando em Arubinha e lembrei-me de Cocada, dois curiosos personagens na história do Vasco…

O ano era 1988, Flamengo e Vasco disputam a final do Carioca daquele ano, os times eram repletos de estrelas. Jogo eletrizante, onde o Vasco sagrou-se campeão com gol de Cocada. Este, ao fim do jogo, declarou aos repórteres:

“Vai tá escrito daqui a 20 anos, que o Vasco da Gama conquistou o Bicampeonato, com gol de Cocada aos 44 minutos (do segundo tempo), que entrou em campo aos 41 e foi expulso aos 45. Quer dizer, é um marco histórico pra qualquer jogador

No jogo de hoje, aos 40 do segundo tempo, um amigo tricolor (que anda mais sumido que titulo do Vasco sobre o Flamengo), fez troça:

“40 minutos de jogo… Temos mais 25 ainda de acréscimo, pois o Flamengo está perdendo… Muito jogo pela frente ainda… Já avisaram até o Faustão (que vai atrasar seu programa)”

Outro amigo, Flamenguista se fez de morto… “Acho que hoje não dá”

E eu, mais calejado que mãos de pedreiro, praguejei via áudio: “Chegamos naquele momento decisivo do jogo em que arrumarão um penaltizinho, pra ficar tudo em casa… esse é o momento”

Resignado, o Flamenguista disse: “Pode comemorar, nos vemos na final”

Respondi apenas com um: “Não dá pra confiar”

E mais uma profecia reversa se fez realidade.

Arubinha errou por menos e Cocada perdura até os dias de hoje. A profecia se fez cumprida, nós vascaínos nunca mais nos esquecemos daquele gol, mas precisava ser lembrado dessa forma, Cocada?!

Lá se vão 30 anos dessa declaração e quis o destino que possivelmente, no aniversário de 31 anos desse ultimo titulo sobre seu maior rival, o Vasco voltará a fazer mais uma final de Carioca.

Como vascaíno, espero que essa praga caia. Passo longe de ser supersticioso, mas se me perguntarem se acredito em bruxas, convicto responderei: Não! Mas tenho certeza que existem!

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