Peixe Fora D’água

Por Davi Miranda

De quatro em quatro anos boa parte do mundo fica em frente às tevês para assistir à nata do esporte competir nas Olimpíadas. Temos as feras do atletismo, os tubarões da natação, os espartanos lutadores greco-romanos e muitos outros representantes estrelados, quase todos de altíssimo nível. Mas também temos um peixe fora d’água: o futebol.

A modalidade já começa toda errada, tendo início 2 dias antes da cerimônia de abertura (!). E Nelson Rodrigues achou foda o Fla x Flu começar 40 minutos antes do nada.

As estranhezas não param por aí: as partidas de futebol não ficarão restritas à capital fluminense, mas se esparramarão por diversos estados, escorrendo por Brasília e alcançando Manaus. É uma maravilha geográfica, pois você poderá estar na Amazônia e dizer que participou dos Jogos do Rio.

O futebol debutou nos Jogos Olímpicos em 1908, sendo o segundo esporte a entrar. À época até se justificava, pois a primeira Copa do Mundo só viria a ser disputada 22 anos depois, no Uruguai. Mas, hoje, temos competições suficientes entre seleções. Somente este ano já tivemos a Copa América, a Eurocopa, e de quatro em quatro anos temos os Mundiais. E para a base temos os Mundiais Sub-20 e Sub-17, realizados de dois em dois anos.

Por falar em idade, nas Olimpíadas há uma mistura bizarra: dos 18 convocados, no máximo 3 podem ter mais de 23 anos, gerando uma mix de garotada com tiozões. Para dar mais emoção poderiam também definir que 3 jogadores deveriam ter mais de 60 anos.

O aspecto técnico contradiz meu parágrafo de abertura, pois o futebol masculino não leva sua nata para as Olimpíadas. Além de não dar muita importância à competição, a maioria das confederações parece apenas cumprir protocolo quanto as disputas, enviando seleções cheias de desfalques, principalmente aqueles que podem ter mais de 23 anos.

Apenas a modalidade feminina se justifica. Com muito menos visibilidade, apoio, patrocínio e fãs, é nos Jogos Olímpicos que as meninas têm sua oportunidade de brilhar, proporcionando, inclusive, competições muito mais interessantes que a masculina. Ponto pra elas.

As tradições são para serem mantidas, contudo, os paradigmas devem ser quebrados. Passou da hora do futebol masculino dar adeus aos Jogos.

peixe

 

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