Leicesters Não Podem Ser Explicados

Por Gabriel Gomes

Leicester

Schmeichel, Simpson, Morgan, Huth e Fuchs, Drinkwater e Kante; Albrighton, Okazaki e Mahrez; Vardy

Milagres não podem ser explicados, é algo irracional. Um fenômeno que transforma um cenário provável em improvável, desafiando o pensamento cético a refletir por um momento em tudo que se acredita. Inclusive na sua fé de não ter fé em nada.

A temporada 2015/2016 do milionário campeonato Inglês acabou neste último final de semana, porém a ficha do que ocorreu, talvez, nunca saberemos realmente dimensionar.

O Leicester (lestər ou léster) foi campeão. Como isso foi acontecer ?

Esquema tático simples, disciplina, marcação, compactação, pressão na saída, transição rápida e excelente ambiente. Tentar explicar com fatos e racionalidade, poderia diminuir este feito. Esse título foi uma afirmação do inexplicável e imponderável, pilares exclusivos e vitais do futebol.

O Leicester desafiou o senso comum ao sugerir ainda no primeiro turno que poderia ganhar o acirrado campeonato. Pois é, estamos falando da segunda liga mais equilibrada do mundo, perdendo apenas para o Brasileirão. Onde você jogará contra times do quilate de Manchester United, Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester City. Alguém em sã consciência apostaria em um time que brigou para não cair até a última rodada da Premier League do ano passado? Sem craques e estrelas? Treinado por um técnico que acumulava fracassos? Onde as casas de apostas pagariam 5 mil libras para cada libra apostada? Não meu amigo, você não apostaria. Sim, foi um milagre.

O time é formado por jogadores que passearam por clubes da segunda e terceira divisão inglesa e quem deve favores ao futebol (E você deve mais do que pensa), tem o dever de saber quem são esses heróis.

4-2-3-1

Kasper Schmeichel, o Principe. Filho de um dos melhores goleiros de todos os tempos (Peter), cresceu com o peso do sobrenome. Começou a carreira no United, mas nunca firmou-se em nenhum clube. Foi em Leicester que descobrimos o verdadeiro potencial escondido nesse paredão.

Danny Simpson, a Pilastra. Lateral moderno de poucas subidas ao ataque, Simpson funcionava como um zagueiro pela extrema direita, liberando as subidas de Kante e Drinkwater para o ataque. Fundamental no esquema de Ranieri.

Wes Morgan, o Xerife.  Zagueiro e capitão, esse jamaicano defendeu o Nottingham Forest por 10 anos até transferir-se para o Leicester em 2012. Morgan é um dos símbolos da raça e da dedicação tática impostas pelo técnico Claudio Ranieri.

Robert Huth, a Cancela. Esse alemão jogou no Chelsea na primeira fase Romam Abramovic e depois sumiu nos bastidores de pequenos times ingleses. Alto, seguro e técnico, Huth ainda contribuiu com 3 gols nessa temporada.

Christian Fuchs, o Ditador. Lateral austríaco com as mesmas características de Simpson, mas que chega melhor ao ataque, Possui mais recursos e colecionou algumas importantes assistências. Ranieri prefere que ele não passe do meio campo e que respeite o esquema. Jogou 34 jogos, das 38 rodadas.

N’golo Kanté, a Formiga. O Leicester apresentou Kante ao mundo, ainda bem. Esse baixinho com a camisa 14, lembrou os melhores momentos de Claude Makelele e fez miséria nesse meio campo. Desarmou, armou, driblou e apresentou um repertório vasto de jogadas que levaram o clube ao título. Kante dificilmente permanece no Leicester. Quem quiser ver Kante em ação é só acompanhar a próxima Eurocopa e sintonizar os jogas da França.

Danny Drinkwater, o Maestro. Sim, beber água é importante mesmo. Existe uma cultura do futebol inglês de um armador mais recuado jogando com a camisa 4. Gerrard é um exemplo mais atual desse jogador. O Leicester tinha seu camisa 4 e como jogou bem Danny nessa liga. O prêmio foi a convocação para a seleção inglesa e vai disputar a vaga no time com Jordan Henderson (Liverpool) e Eric Dier (Tottenham).

Shinji Okazaki, o Imperador. Único reforço nesta temporada, o japonês era a peça central que faltava no esquema. Após alguns anos no futebol alemão, ele trouxe equilíbrio e regularidade ao ataque dos Foxes. 6 gols e varias assistências em 2016.

Marc Albrighton, o Motor. Típico ponteiro inglês com força e disciplina. Jogou praticamente todos os jogos e era normalmente substituído por Ulloa. Não consigo imaginar esse time sem a presença de Albrighton no campo.

Riyad Mahrez, o Talento. Eleito somente o craque do campeonato, esse argelino habilidoso trouxe a malemolência necessária para quebrar as zagas adversárias e lotar o King Power Stadium. Foram 18 gols nessa temporada. Preciso dizer mais alguma coisa?

Jamie Vardy, a Foice. Vice artilheiro do campeonato com 24 gols, jogava a quinta divisão em 2012 e foi comprado por mísero 1 milhão de euros pelo Leicester para reforçar o ataque que jogaria a segunda divisão naquele ano. Vardy hoje já acumula convocações para a seleção inglesa e um gol de letra que ajudou no triunfo do English Team contra a poderosa Alemanha.

Menção honrosa: José Leonardo Ulloa, o Camisa 12.  Esse cara entrava em todos os jogos. Foi aquela figura que incendiava os jogos e contribuía com seus gols. Ulloa, você tem seu lugar assegurado nesse time.

Ano que vem esse milagre jogará a Champions League e o mundo será pequeno para esses jogadores. Obrigado Leicester, quem ama verdadeiramente futebol nunca mais esquecerá esse time.

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