Aluga-se

Por Alan Parada

inferno

Ano olímpico. A cidade já se prepara há tempos para o evento. Mas agora, como de costume, começa a correria para aprontar e maquiar tudo para os jogos, já que faltam menos de 100 dias para o início das Olimpíadas.

A chama olímpica já passeia pelo país.

E os times de futebol da cidade olímpica (ao menos 3 deles) aparentam só terem percebido o problema de ter os jogos por essas bandas há pouco tempo.

Talvez no início do ano, e não em 2009, quando ganhamos o direito de sediar as competições.

Não teremos o nosso principal palco e mais famoso estádio do Mundo (Maracanã) e, por obviedade, também não estará disponível o “Estádio Olímpico”.

Ora, amigos. Todos já sabiam disso, os estádios entrariam em reformas, que atrasariam e que tirariam a possibilidade de jogar no Maraca ou no Engenhão por um tempo. A gente já passou por algumas obras no Maior do Mundo que atrasaram o cronograma. A construção do Engenhão atrasou. E essa absurda reforma da cobertura, que também atrasou nos mostrava que íamos ter problemas para acomodar nossos times antes dos Jogos Olímpicos.

Aparentemente, só as diretorias de Flamengo, Fluminense e Botafogo não viram isso e deixaram tudo para a última hora, cada uma com a sua solução.

A do Fluminense primeiro decidiu por Volta Redonda. Mas como lá pelos lados das Laranjeiras, a Diretoria não tem o menor problema de mudar de lado e de opinião, viu que não seria viável usar o aprazível, porém distante e frio Estádio da Cidadania para mandar seus jogos no BR16.

Acabou mudando e fazendo um acordo com o America, onde irá gastar entre setecentos mil e um milhão de Reais em reformas no estádio de Edson Passos, tornando-o viável para receber jogos do Brasileirão.

O Botafogo fez de forma parecida, porém os entraves foram outros. O time da Estrela Solitária possui um contrato ainda ativo com a Prefeitura de Niterói para utilização do Estádio Caio Martins. Porém o mesmo precisa de muitas reformas e a Prefeitura local não liberou o projeto, fazendo com que o Alvinegro acertasse com a Portuguesa a utilização do Estádio Luso Brasileiro. Dentre os itens da reforma estão a construção de 15 mil assentos e um novo gramado para o local.

O Flamengo é que ainda não se mexeu. Acredita que a força da sua torcida, a maior do país, irá lhe dar guarida em qualquer lugar que vá jogar. Isso é uma realidade. Onde quer que vá jogar, o Flamengo terá seus torcedores em número expressivo.

A questão é outra. O desempenho dos jogadores com tantas viagens e pouco descanso. O Flamengo é do Rio e seus funcionários moram na cidade. Usar Brasília, Juiz de Fora, Cariacica ou Manaus como casa é fazer com que todos os envolvidos no jogo pelo clube viagem ao menos na véspera do jogo e voltem no dia seguinte.

Num ambiente de competição e jogos a cada 3 dias, isso pode ser um divisor de águas entre ser competitivo e ser só mais um.

E aí, pode entrar um precedente perigoso. Será que a torcida candanga irá lotar o Mané Garrincha com o time tendo atuações fracas, contra adversários de meio de tabela e o Rubro-Negro brigando duramente pela honrosa 13ª posição no campeonato?

Os dirigentes precisam lembrar que não temos a cultura de lotar estádios no país, exceto em momentos decisivos dos pontos corridos ou em mata-mata, nas fases mais agudas e ficar num compasso de espera pode ser um tiro no pé, que talvez traga prejuízos irreparáveis, muito mais pelos aspectos técnicos e competitivos do que financeiros.

Em minha opinião a decisão de Flu e Bota foi acertada e, sinceramente, espero que mantenham as parcerias por mais tempo, tornando os estádios menores em caldeirões, tal qual o Atlético-MG faz com o Independência (que é do América-MG) e usem o Maracanã ou o Engenhão em jogos que tenham maior apelo e finais, assim como o Vasco já faz por aqui e o Galo faz lá por BH, com o Mineirão.

Não custa lembrar que a ascensão do Galo no cenário nacional e continental passa, obrigatoriamente, pelo Horto e por toda a pressão que um estádio para 19 mil pessoas faz.

Apenas para ilustrar, o Maracanã, com 13 mil pessoas, é considerado vazio, frio. Não dá medo e pressão ao adversário. Ainda mais nessa nova nomenclatura, onde as torcidas ficam concentradas atrás de um gol, com o outro lado entregue às moscas.

Agora, imagine Edson Passos ou o Luso Brasileiro, que vão comportar 16 e 19 mil pessoas, respectivamente. Um público de 13 mil terá quase lotação máxima, o formato do estádio ainda favorece a pressão ao adversário e o canto/grito de 13 mil pode soar mais forte do que até de 30 mil, num Maracanã, que ainda cabem 80 mil.

Futebol é guerra e o estádio é o campo de batalha dos times. Tornar o seu campo hostil ao adversário passa pela pressão que ele sofre ao estar lá. Ter um estádio considerado um “Caldeirão” é uma vantagem. Vide os exemplos acima de Vasco e Galo. Lembro, ainda, da Arena da Baixada, antes da reforma, onde todos diziam que era muito complicado de jogar lá.

Outro exemplo disso é o próprio São Paulo. De quase imbatível em seus domínios “pela Libertadores, contra o River Plate” para frio e sem pressão numa “14ª rodada do Brasileirão, contra a Chapecoense”. É o mesmo Morumbi. Um com 65 mil pessoas e o outro com 11 mil.

No único campeonato do Mundo onde ao menos 10 times entram como postulantes ao título, ter o seu próprio “Campo de Guerra” e não um “Campo de Jogo” pode fazer a diferença entre jogar em março do ano seguinte a Libertadores no caldeirão ou a Copa do Brasil em qualquer lugar. Pode ser a diferença entre “Caiu no Horto, tá morto” e o “Belo mosaico cinza que a torcida do Cruzeiro fez”.

 

E segue o jogo! Com pressão, caldeirão e estádios cheios! Sejam eles pequenos ou grandes!

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