Intervenção e Tempos de Paz

Por Valdez Gomes

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Ontem à noite, milhares de pessoas se dirigiram ao templo do futebol para mais um clássico. Nem de longe lembrava as torcidas de Flamengo e Fluminense, o clima de calmaria que tomava conta do entorno do estádio, mais parecia do clássico da Paz, como é conhecido o clássico entre America e Vasco.

Embora houvesse torcedores de toda a natureza, de americanos à norte americanos, não era noite de futebol.

Era noite do show do Coldplay. A multidão que se aglomerava nos portões do Maraca, não estava ali para torcer, brigar ou protestar. Ali, naquelas poucas horas, coxinhas e mortadelas formavam um só ser com apenas um objetivo, curtir um show de uma banda internacional que não trazia consigo uma bandeira do clube, partido político ou movimento sindical.

Aquilo que o Alan Parada, há alguns dias, pediu aqui, a banda norte americana fez com louvor.

Na chegada e saída do show, gente de todas as classes, orientação sexual, religião, Republicanos e Democratas, ordeiramente, se enfileiravam nas rampas do Metrô, onde mais tarde viriam a se apertar naqueles 30 centímetros de chão de um vagão de trem. Essa mesma massa pacífica, se amontoava também nos pontos de ônibus, em ambas as direções, tanto para o subúrbio quanto para a zona sul.

Em cada esquina que passava, nas ruas mal iluminadas dos bairros do Maracanã e Vila Isabel, era possível encontrar centenas de pequenos focos de luz vindos dos celulares que enviavam pedidos de SOS para táxis e Uber, e que eram solenemente ignorados por eles. Não havia oferta suficiente para a demanda solicitada. Aliás, até havia por parte do Uber, porém a taxa multiplicadora de 5.0 era quase proibitiva. Mas ainda assim, havia quem aceitasse pagar a pequena fortuna.

Foi interessante ver simpatizantes dos amarelos e blacks tecendo críticas aos serviços que outrora, eram maravilhosos. Mas nada que tirasse o bom humor de quem havia acabado de sair de um show.

Ontem, durante algumas poucas horas, não se falou de impeachment, golpe, Flamengo, Vasco, Seleção, Dunga ou Tite. Eram tempos de paz, trazidos por vozes estrangeiras. Os preços cobrados pelos ingressos e, principalmente pelo Uber, não deixavam dúvidas… Não havia crise.

Ah sim, pensando bem, ela até existe. Mas não ali nas cercanias do Mário Filho. A crise mudou de campo, não se fala em outra coisa nas Laranjeiras. Mas isso é assunto para ser abordado por quem tem pele tricolor. Parada, esse abacaxi é para você descascar.

 

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