Para Onde Caminhamos

Por Gabriel Gomes

 

selfie

 

A verdadeira bênção do nascimento é o estado em que desembarcamos na terra, despidos de vaidade e ignorantes sobre o pensamento coletivo, indiferentes a costumes e necessidades de inserção social. Nascemos desesperados, suplicando por explicações e razões.

O mundo não vai bem, obrigado. Estamos perdendo nossa identidade local e as pessoas caminham para uma única cultura dominante. Os hábitos são ditados pelas grandes corporações dominantes, visando à uniformização do consumo e facilitando a logística e distribuição do produto. As ações são validadas pelas redes sociais e a zona de conforto de cada um se transforma em seu verdadeiro habitat.

Existem sobreviventes, mas são pequenos povoados dentro das grandes massas que estão morrendo e entregando as cartas a cada segundo. Exceções que confirmam a regra.

Nos dias de hoje, a frase “eu não sei” está em extinção no dialeto civil. As respostas são arsenais bélicos prontos para qualquer enfrentamento, tudo o que importa é termos razão e o espelhamento de outros na sua convicção.

As redes sociais são partes fundamentais neste processo. A realidade virtual é terra fértil para a proliferação de dependentes químicos das opiniões alheias, sócio-mimados e personalidades fracas. Esconder-se sob a tela de um dispositivo eletrônico sempre foi uma necessidade humana, mas que representa um retrocesso na cadeia evolutiva do ser humano. Nascemos para conviver em sociedade, não em rede, campo de guerra perfeito para atirar e não ser atingido.

A fragilidade psicológica é desenvolvida quando não precisamos lidar com emoções face a face. Encarar o semelhante tornou-se desnecessário. As palavras não são mais importantes, abrevia-se tudo. Coloque um maldito vídeo mal editado ou uma porcaria de foto, as palavras não importam mais. Os jornais já acabaram. Os livros estão acabando. Vamos convidar todos a depender de aparelhos movidos a baterias que acabam a cada 6h. Se a indústria pensasse em você, já existiria a bateria de 1 mês e o carro elétrico.

A percepção e o olhar humano foram substituídos pela lente. O indivíduo desaprendeu a olhar e observar. Registrar tornou-se um ópio. É mais importante mostrar ao mundo que você esteve do que você realmente estar no lugar. Nossa memória foi substituída por um HD, o verdadeiro Alzheimer que assola a população.

Shows e grandes espetáculos são mega produções que visam proporcionar ao público um sentimento de pertencimento. “Eu pertenço a isso, portanto sou feliz por estar aqui”. Os fãs são desrespeitados e privados de acompanharem seus ídolos, pois os preços são proibitivos e os esquemas de aquisição de ingressos são destinados a empresários escusos ou a cambistas. Ambos representam com sucesso a escória da humanidade.

Glamour e sofisticação não pertencem a estádios de futebol. Arenas multiuso e construções modernas representam uma quebra de contrato que o futebol fez com o povo, representado por uma classe social que não acompanhou o preço final dos ingressos, e as consequências estão no borderô da última partida. Os fiéis torcedores de domingo deram lugar a idiotas, de ocasião, prontos para a próxima selfie. Brasileiro nunca foi apaixonado por futebol mesmo.

Para onde caminhamos ?

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