Minha Primeira Vez

Por Alan Parada

Nossa memória, essa que falha ou falta de vez em quando, tem um início.

Quando eu digo “início”, falo daquele momento que você puxa na cabeça e consegue lembrar das coisas quase que cronologicamente a partir dali.

No futebol, minhas lembranças começam em 93.

E aqui abro um parêntese.

Lembro da Copa de 90 também. Vendo os jogos no SBT e vibrando e contando quantas vezes o “Amarelinho” aparecia na tela durante os jogos, para mandar a cartinha e tentar ser sorteado pra ganhar sei lá o que. Bons tempos…

Fecha parêntese.

 

AMARELINHO

 

Dizia eu, que na aritmética (do futebol), minhas memórias e lembranças cronologicamente falando começam em 93.

Acho que já disse aqui, no texto do gol de barriga. Sou órfão de pai, desde os meus 6 anos de idade. O que tornam as coisas muito mais difíceis, no que se refere às idas aos estádios.

Minha mãe (que fez aniversário ontem. Parabéns, Mamãe!) sempre esteve muito preocupada em trabalhar e conseguir sustentar os dois filhos e nunca foi muito fã de futebol. Isso me deu certa dificuldade em ver e acompanhar o esporte.

Até que os deuses do futebol me fizeram um favor.

Eliminatórias da Copa do Mundo de 94. Último jogo e o Brasil precisando vencer. Comoção nacional a favor do Romário e jogo no Maracanã.

Aquele jogo que até quem não gosta de futebol para pra assistir e acompanhar.

Isso, talvez, tenha despertado a vontade na Dona Gilvanete em levar os filhos para o espetáculo…

Um amigo do trabalho se dispôs a ir para a fila e comprar os ingressos e quando a notícia de que a gente poderia ir ao jogo chegou aos ouvidos das crianças da casa, uma alegria apareceu, junto com uma ponta de esperança.

E agora, prepare-se para entrar na cabeça inexplicável de uma criança:

O amigo da minha mãe dormiu uma semana na fila para comprar os ingressos. Faltando 3 pessoas para a vez dele, vem a notícia: acabou. Lotação esgotada.

Saiam da cabeça da criança, agora!

Sabe-se lá ao certo quanto tempo o cara ficou na fila… O certo é que não teve ingresso e não teve jogo no estádio. Não seria dessa vez que eu entraria num estádio de futebol.

Mas a partir daquele momento, esse vírus acabou entrando de vez no meu sangue e aquele show do Romário no Maracanã despertou a paixão nacional em mim.

Já fui em centenas de jogos ao estádio, viajei para acompanhar o meu Tricolor pelo Brasil afora, chorei por títulos vencidos e perdidos. Vaiei, comemorei, gritei: “Uh!” várias vezes.

Já xinguei árbitro e apareci na TV por isso. Já entrei em campo segurando bandeira da torcida, fugi de gás lacrimogênio de polícia e já até chutei do meio de campo no intervalo.

Tudo isso por conta desse tal de futebol. Esse vírus que desde o dia 19/09/1993 está alojado no meu corpo.

E por favor, se alguém souber qual é o antídoto para curar desse mal, não me diga. Não quero ser curado!

Dia 19/09/93. A partir desse dia, segue o jogo. Para mim, o meu jogo.

 

BRA X URU

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