Nós Ganhamos a Copa

Por Gabriel Gomes

BIEL

 

Existem momentos inesquecíveis na vida. Vou narrar um deles.

Copa do Mundo finalmente no Brasil. O coração se acalmou e a mente se elevou. Recebi o presente tão esperado, farei parte da história e meu filho não terá um pai frustrado. Os 30 dias mágicos que só acontecem de 4 em 4 anos pertencem finalmente a mim.

Em Copas não existem jogos ruins, apenas olhares tristes e desenganados vendo os jogos.

A minha atuação no Mundial foi impecável: fui a 5 jogos em 3 estados diferentes e, no cardápio, teve Brasil x Chile, cinema, praia e porres.

Conheço e conheci um pouco de gente nesses 34 anos. Mas, vamos falar daquelas que valem a pena viver para conhecer.

A missão era arrumar uma mente evoluída para assistir a um jogo em Cuiabá.

Sei de apenas 2 pessoas que enxergam além da sociedade e concordariam com essa “insanidade”; sorte a minha que sou insano e conheço a família Alves.

O evento se aproximava e um amigo recém-chegado de Barcelona, para um período de autoconhecimento, estava sem ingressos e sem rumo. Mais um mortal que faz parte de um grupo seleto de torcedores diferentes, que admiram o jogo pela sua essência e mecânica e não pela repercussão e inclusão social que o futebol pode alcançar. O outro integrante da jornada seria seu irmão mais novo. Não foi difícil convencê-los, afinal, iríamos pra Copa do Mundo!

Ingressos comprados, tudo certo. Eu chegaria 1 dia antes, eles, no dia do jogo. Voltaríamos juntos e dormiríamos no saguão do aeroporto. Para que conforto? … Seria mais legal contar paro o seu neto que dormiu num confortável hotel em Cuiabá ou que não dormiu porque estava só com uma mochila, dinheiro contado para assistir à partida e vivenciou uma atmosfera com torcedores do mundo inteiro? Que se dane ar condicionado e edredom!

No voo, algo inusitado e inesquecível aconteceu: estava vestindo uma das camisas da seleção que iria assistir, com o nome e o número do maior craque que aquele país produziu, e fui abordado por torcedores surpresos pela cena. Foram muitas fotos e até pedido de venda da camisa. Não, muito obrigado, existem coisas que não estão à venda.

Não conhecíamos Cuiabá, mas a Copa do Mundo deixava o clima singular em todas as sedes. Nos encontramos em um restaurante para a resenha pré-jogo. Na tela, um Alemanha x Gana inesquecível; quase que Asamoah Gyan e companhia aprontam outra vez. Foi um 2×2 equilibrado, com aqueles que viriam a ser os campeões. Tudo perfeito para o próximo jogo e, o melhor, estaríamos nele.

A partida foi disputada; o resultado que realmente importava foi uma goleada de emoções e experiências que nunca serão esquecidas pelos personagens daquela aventura. Ali, naquela arena, construída com o dinheiro do povo, 3 jovens fizeram um pacto de memórias e lembranças que nunca se perderão. Estaremos sempre lembrando, entre nós, aquela noite em Cuiabá.

A saída preparava a maior surpresa de todas: típica da cultura do país vencedor, uma banda de fanfarra, que sequer foi para o jogo, esperava a saída da torcida para iniciar as comemorações. O ônibus de turismo estava longe, então fomos pelas ruas quentes de Cuiabá naquele bloco carnavalesco que reuniu todo os “loucos” que a opinião pública insiste em classificar – como é bom frequentar esse manicômio! Quando nos demos conta, estávamos perdidos em uma cidade a milhares de quilometro de casa, exaustos pela dose do incomum e do excêntrico.

Não vale a pena viver uma vida sem esses momentos.

Parabéns por mais um ano de vida, Gustavo.

O jogo? Nigéria x Bósnia.

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