Patologia

Por Gabriel Gomes

pato

 

Quem disse “não” a China? Alexandre ou Fiorella.

A fábrica de talentos ainda está em pleno funcionamento na zona franca brasileira e a principal matéria prima de exportação do país ainda é o futebol.

O Made in Brazil é o produto de disputa, o último quadro no leilão, o “crème de la crème”.

Os primeiros que saíram foram pra Itália de navio carregando apenas sonhos. Hoje, a ponte aérea para Pequim está com seus voos lotados de ambições vazias prostituídas pelo saldo disponível para saque.

O êxodo dos craques começou na década de 90 de forma distribuída pelos principais campeonatos europeus. Até começar uma onda de países emergentes da bola abrirem seus bolsos e esvaziar o futebol brasileiro. Primeiro foram os japoneses, um breve momento os Coreanos, o mundo árabe com Emirados Árabes, Arábia Saudita e Qatar, a Rússia e o fragmentado Leste Europeu. Mais recentemente a China. Pois é leitores, os pastéis começaram a dar dinheiro.

A decisão é fácil de ser tomada. O ser humano está onde o dinheiro quer.

Alexandre Pato foi o candidato a gênio mais recente que tivemos. Poucos despertaram tanta atenção nos últimos anos como esse menino de Pato Branco. Vítima de um tumor aos 10 anos, precisou de um tratamento severo e tempo para se recuperar e seguir adiante com seu sonho e objetivo, tornar-se o melhor naquilo que faz.

Mundial de Clubes de 2006 e o mundo conheceu um talentoso atacante de 17 anos com personalidade e categoria de um veterano. Pato conheceu a fama, seu ópio e maior inimigo.

Desembarcou na Itália carregando apenas sonhos. Teve estreia de sonho, foi campeão, estrangeiro com mais gols numa primeira temporada, pegou a filha do dono da Itália e vestia a camisa da seleção brasileira. Era seu momento.

Só uma coisa poderia abalar a sua confiança naquele momento. Não poder jogar futebol.

As contusões vieram. Foram 15 contusões em 30 meses. Precisava de um recomeço.

O Corinthians enxergou em Pato um negócio da China. Desembarcou no Brasil carregando apenas malas. Era um garoto de 23 anos que precisa de reafirmação. O casamento não durou muito, foi quando apareceu o rival oferecendo casa, comida e Jadson. O Corinthians aceitou.

A ida ao São Paulo fez bem ao, agora, homem Alexandre. O reencontro finalmente aconteceu. Pato e bola votaram a falar o idioma comum do futebol. Gols e genialidade.

Em 2016 o destino de Pato já estava escrito. Milhões de cédulas o aguardavam em Pequim. Seria possível não aceitar a bagatela de R$ 5 milhões de reais por mês? Sim, ele queria a Europa.

Nos próximos dias Alexandre de Pato Branco vestirá a camisa do Chelsea e será titular. E não me venham com Pedro da Cataluña ou Remy de Marseille.

Resta saber se ele vai atrás de seu ópio ou sua redenção.

O Brasil ainda é o país do futebol.

 

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2 respostas para Patologia

  1. Mais um ótimo texto. O meu estilo de texto, favorito: informativo.
    Não à toa, és o nosso GVC! Hahaha

    Abraços.

    Curtido por 1 pessoa

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