Feliz Ano Novo!

Por Alan Parada

 

portela

 

Caros amigos, viramos o ano, mas como bons brasileiros, ele só começa após o carnaval.

Eu sou um apaixonado pela festa mais democrática do planeta. Onde o morro desce para ser aplaudido e admirado pela burguesia, onde todos são iguais, pelo menos por alguns dias e aquela pessoa que você dá pouca importância no dia a dia pode ser o Mestre de Bateria nota 10, Porta Bandeira, destaque de carro abre-alas ou membro do balé da comissão de frente!

Nosso carnaval carioca dá retorno em turismo para a cidade uma fortuna que é difícil de imaginar. Isso sem contar nos irreverentes blocos de rua, que movimentam milhões de pessoas diariamente, nos dias que a chave da Cidade está nas mãos de Momo.

E se todos têm uma mania, a minha é comprar o CD dos Sambas Enredo do ano, logo quando ele sai. Eu e mais uns amigos igualmente viciados ficamos nesses dias ouvindo apenas isso de música, para decorar os sambas e estar afiado na hora de assistir os desfiles.

Com isso, sempre existem os eleitos como o samba do ano ou os melhores da safra e eu, humildemente, irei fazer uma pequena resenha dos 12 sambas do Grupo Especial do Rio, com a minha avaliação de cada um.

Leia a nota com a voz do Jorge Perlingeiro na cabeça, por favor!

Explicação do avaliador: Não tenho uma formação musical oficial, apenas algumas aulas de canto e batuquei na bateria da torcida organizada por alguns anos no Maracanã. Não li os releases das escolas e não decorei as letras olhando as mesmas.

Essa avaliação é de “ouvido”, ouvindo muitas vezes (mais de 30x talvez) cada um dos sambas. Quero ser o mais “povão” possível na avaliação…

Eis as notas!

Beija-Flor de Nilópolis: 9.8 – Muito bom iniciar o CD com a introdução do Hino Nacional, numa levada de samba. A Escola resolveu homenagear o próprio Marquês de Sapucaí, uma ideia bem legal, o samba é bem explicativo com relação à vida do homenageado. O refrão principal é uma ode à própria Escola, que é a maior vencedora de títulos desde a inauguração do atual sambódromo, com 8 canecos e é muito forte. Deve dar caldo junto à comunidade, ainda mais em Nilópolis que tem uma das mais fortes ligações com a sua gente atualmente. A confusão sobre quem é o homenageado se dá por ser o próprio Marquês, que muitas Escolas usam e abusam de colocar nos seus versos ligações com a Avenida, Apoteose e etc.

Acadêmicos do Salgueiro: 10 – Uma bela homenagem aos verdadeiros malandros. Não o malandro safado, mas aquele de terno de linho, chapéu panamá, medalhinha de São Jorge… Refrão muito forte, que já na gravação do CD dá para sentir a energia que vai ter na Avenida. Muitas referências à malandragem e a boemia. O Salgueiro vem fazendo bons sambas, mas algumas vezes peca na hora de levar a história para a Sapucaí. Vamos esperar e torcer para um bonito desfile.

 

Acadêmicos do Grande Rio: 9.7 – Samba homenageando a cidade de Santos, que não tem mais do que o maior porto do Brasil e um dos times mais vitoriosos da história do futebol mundial. Time de muitos craques e de Pelé.

Ou seja, muitas referências aos dois, com estrofes inteiras sobre futebol, portos e navegação. Outro refrão interessante, porém bem mais fraco que os anteriores. Tem como ponto positivo dar ao ouvinte um desenho de como pode ser o desfile, com referências que certamente irão aparecer, como as confusões de porto e os mercadores, bondes, café, corte real, futebol e o próprio time do Santos com Pelé e o novo queridinho do futebol, Neymar.

 

Unidos da Tijuca: 9.3 – Não empolga em momento nenhum. Esse ano vai falar sobre a mãe natureza, agricultura e coisas da terra. Esse tema foi muito bem desenvolvido pela Vila Isabel, onde levou o título. Como curiosidade o intérprete Tinga, é o mesmo da Vila em 2013. Um clima de “déjà vu” tremendo… Daí temos uma soma: Tema e intérprete repetidos, samba que não empolga, escola com pouca tradição e com isso temos um dos piores da safra.

 

Portela: 10 – Eu, como torcedor da Águia, fiquei muito feliz em ouvir de volta a voz do Gilsinho. A azul e branco de Madureira tem atualmente o melhor time de compositores do carnaval. Sambas fáceis, leves e com boa pegada. O tema é complicado, até por ser um enredo criado pelo vencedor, porém confuso, Paulo Barros. Misturar a tradição portelense com a pirotecnia Barrosiana deve ter sido complicado, porém o trabalho foi muito bem feito. Fala sobre as viagens do ser humano, atrás de tesouros ou pelo seu próprio amor, seja de barco, trem, avião. Ou de águia! O refrão dá um claro recado para quem acha que a Escola está morta, quando diz “Fale de mim quem quiser/ Mas é melhor respeitar/ Sou a Portela”. Se bem levado na Avenida, tem tudo para empolgar mais uma vez.

 

Imperatriz Leopoldinense: 9.8 – Não gostei da gravação. A primeira passada com uma pegada de samba misturado com sanfonas e viola não caiu bem no meu gosto. Embora a voz da Lucy Alves seja fantástica, não é samba.

A letra é bem arrumada, mas esperava mais referências à obra de Zezé di Camargo & Luciano, já que o refrão principal copia o “é o amor” no mesmo tom e ritmo da música original de 25 anos atrás. O samba soa como uma versão musicada do filme “2 filhos de Francisco”, que conta a história da vida dos cantores. Não é ruim, mas poderia ser muito melhor.

 

Mocidade Independente de Padre Miguel: 9.4 – Não tem um homenageado ou tema principal único. Faz uma alusão ao Dom Quixote, contra as guerras e problemas que estão no mundo. Com o samba vencendo o mal, com alegria e “mocidade”. Uma bonita letra, porém confusa. Um refrão interessante, e que empolga torcida e comunidade quando diz que “nessa disputa/ verás que um filho teu/ não foge à luta”.

Mais um samba denso vindo de Padre Miguel, misturando literatura, cangaço, guerras… Suspeito que não vai ter força suficiente para levar a Escola com força até o final e os componentes e arquibancada vão cansar no meio do desfile.

 

São Clemente: 9.7 – O esforço da Escola em ser a irreverente do carnaval é impressionante. E isso faz com que a Aurinegra da Zona Sul tenha simpatia de praticamente todos os amantes do samba.

Nesse ano, falam sobre Palhaços. Todos eles! O do circo, o que é “ladrão de mulher, mas tem samba no pé”, o povo que é feito de palhaço pelos políticos… Um samba divertido e leve, como já é tradição da Escola. Mas não tem aquela empolgação de samba vencedor… Mas dá para imaginar uma escola colorida e divertida na Sapucaí, num tradicional desfile da carnavalesca Rosa Magalhães.

 

União da Ilha do Governador: 9.5 – Continuando em irreverência, Ito Melodia e a sua União da Ilha falam sobre o Rio de Janeiro Olímpico. É quase um hino de boas vindas aos atletas e todos que virão acompanhar os jogos, em agosto. Mas aí é que entra o problema… Não fala do Rio nem das Olimpíadas. Mistura um com o outro e eu, sinceramente, não achei muito legal. Muitas referências à cidade e aos jogos e competição, mas muito misturado e confuso.

 

Estação Primeira de Mangueira: 9.6 – Maria Bethânia merecia um pouco mais. Talvez pressionado pelo falecimento inesperado do titular Luizito logo depois da final do Samba, Ciganerey não manda tão bem ou não é o cara certo para comandar esse canhão que é a verde-rosa. O samba não é nada demais, faz algumas referências à vasta obra dela, como Fera Ferida, Explode Coração, Quem me Chamou…

Mas o que ficou na minha cabeça é o verso que começa com “Sonhei”. Mesma entonação e ritmo do samba em homenagem ao grande Nelson Cavaquinho, de 2011 (“Sonhei/ Que folhas secas cobriam o meu chão/ para delírio dessa multidão/ impossível não emocionar).

A Menina de Oyá será bem representada pela Escola com uma das comunidades mais fortes, porém com um samba nada mais do que mediano.

 

Unidos de Vila Isabel: 9.8 – Comemora o centenário de Miguel Arraes, o Pai Arraia. O excelente Igor Sorriso leva muito bem o samba, que é escrito pelos mestres Martinho da Vila, Arlindo Cruz e Mart’nalia, além de André Diniz e Leonel. O refrão do meio é divertido, quando fala do maracatu e chama o público no “vem, vem, vem dançar o frevo e a ciranda”. Tem tudo para levar a escola a uma melhor colocação, com boas bossas e oportunidades para a bateria brilhar e dar voz para a forte comunidade, que canta muito forte. Pode surpreender na Avenida. Olho neles.

 

Estácio de Sá: 9.9 – A gigante Estácio está de volta cantando o seu padroeiro São Jorge. O Santo mais famoso do país, quiçá do Mundo, que já tem as cores da Escola vem com tudo para tentar quebrar a escrita do Grupo Especial de que a Escola que sobe, desce imediatamente. Trouxe de volta o grande Dominguinhos do Estácio, junto com o genial, porém polêmico Wander Pires.

O samba é gostoso de se ouvir, não é complicado e é recheado de clichês relativos ao Santo e até quem não é “Fiel Seguidor” vai reconhecer. É uma escolha que tem tudo para dar certo, tanto pela simpatia do Santo Guerreiro com o público em geral, quanto pelas cores da Escola e do Santo. Para dar certo, vai depender da competência técnica e dos problemas que todas as que sobem enfrentam, pela diferença gigante que tem entre as escolas do Grupo Especial e o Grupo de Acesso.

 

Concorda comigo? Discorda? Ou é indiferente? Deixa seu comentário com a sua resenha para discutirmos. Falta pouco!

Na foto do post, a imagem mais marcante do carnaval do ano passado, que deveria ser a capa do CD desse ano: A Águia Redentora da Portela.

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