Do Framengo ao Flamengo

torcida flamengo

Texto por: Victor Mesquita

Um assunto que está sendo bastante discutido é a maneira encontrada pelo Flamengo e sua fornecedora de material esportivo, a Adidas, para a apresentação de seu novo terceiro uniforme, que por sinal, é bem bonito. Todo preto e com detalhes vermelhos, consegue ser embelezado pelo seu patrocínio, que se retirado, torna-o uma camisa apenas comum.

Através de uma parceria com o Desimpedidos, canal do Youtube, foi feito um vídeo onde um torcedor mascarado (personagem do canal) mostra-se ansioso para ver a nova camisa e, ao falar, repete incansavelmente a palavra “framengo”.

Muitos torcedores sentiram-se ofendidos e caíram em cima do clube e da Adidas, cobrando explicações.

Posteriormente o departamento de marketing rubro-negro liberou um comunicado oficial, dizendo não ter envolvimento com a divulgação do vídeo.

Ora, como não? Foi o lançamento de um artigo oficial do clube, onde, inclusive, seu gerente de marketing apareceu nas imagens. Como simplesmente lavar as mãos após o mau recebimento por parte de alguns torcedores? Façam-me o favor! Já começaram o ano com o habitual despreparo.

Antes de simplesmente criticar o modo do torcedor falar, que é a razão para toda a confusão causada, é preciso fazer uma análise sobre o contexto e o conteúdo do vídeo.

Em primeiro lugar, foi muito boa a ideia de representar o torcedor rubro-negro como um autêntico carioca, usando seu “jeitinho” para atingir seu objetivo, sendo malandro.

Mesmo que tenha havido um certo exagero no estereótipo, é assim que somos vistos por grande parte dos que vivem fora do Estado. Mas todo o bom contexto foi jogado fora pelo seu conteúdo desnecessário, apelando para um humor fraco e tirando o brilho que a apresentação merecia.

Por que não um vídeo mostrando o Flamengo da mistura de classes sociais, raças e gêneros?

Pois, somos sim, o Flamengo de quem fala “framengo”; brancos e negros, homos e héteros. Simplesmente somos Flamengo, não importa quem seja!

Por que não mostrar o “framengo” do cidadão humilde, que mal sabe falar, ler ou escrever? Aquele que usa o pouco dinheiro que tem para comprar seu ingresso e apoiar o time no estádio, não importando se de carro, ônibus, trem ou a pé. Ainda que com todo o sacrifício, ele estará lá: cantando, berrando ou xingando durante os 90 minutos de jogo.

O Flamengo que faz ecoar na arquibancada o grito de “festa na favela”, torna o pobre e o rico um só.

O Flamengo que, ao fazer um gol, mistura num abraço o suado-fedorento e o limpo-cheiroso, explodindo em felicidade num único grito.

Quem é rubro-negro de verdade, sabe que, do “framengo” ao Flamengo, nada muda. Somos todos iguais!

Links sobre o assunto: http://www.futebolmarketing.com.br/2016/adidas-tabelou-com-desimpedidos-para-lancar-3a-camisa-do-flamengo/

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