E elas?

Por Alan Parada

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Guilherme é pai de Bruna, que tem 13 anos e adora estar em movimento. Os conheci quando ela tinha uns 5 ou 6 anos e era apenas mais uma criança sapeca, daquelas que fazia tudo que uma criança gosta de fazer. Desde brincar de boneca, passando por volei, natação, futebol, tênis…

Desde que eu a conheço, sei de Bruna praticar Volei, Tenis, Futebol, Dança e até fez parte de um grupo de escoteiros, com atividades diversas.

Hoje, Bruna se decidiu. Adora futebol. Seu pai é corintiano fanático, já ela tem o coração dividido entre o Coringão e o Fluminense, uma vez que ele é paulista radicado no Rio e ela, carioca da gema.

Conversando com ele, senti uma preocupação de pai e de torcedor brasileiro com o esporte feminino, principalmente o futebol. Disse-me que a Bruna não consegue uma escolinha de futebol para jogar com meninas e que na escola, tem que brincar com os meninos, que já são físicamente mais fortes e só aceitam ela jogando por conta de um braço quebrado, ao fazer uma defesa salvadora para o seu time. Depois disso, ela ganhou o respeito dos meninos, mas ganhou um pouco da antipatia das meninas por gostar tanto do esporte bretão… É mole?

Nós, que temos Marta (talvez a melhor de todos os tempos) e Cristiane, perdemos talentos da bola por termos ainda enraizado na nossa cultura de que “futebol é para homem”. Quantas Brunas não estão por aí, sendo tolhidas de mostrar seus talentos nas quadras ou campos por não terem o espaço para jogar, ou o apoio dos colegas, amigos e família de vencer essa barreira e poder colocar o meião, chuteiras e fazer gols?

Nosso último Campeonato Brasileiro feminino foi uma vergonha. Jogos que não acabaram por conta de atletas com insolação, final que foi suspensa. Por conta da falta de apoio e de times, fizeram um “draft” para realocar algumas jogadoras da seleção nos times finalistas. A Seleção é uma das melhores do Mundo, mas ainda falta aquele “algo mais” para poder ganhar os principais títulos. E fico me perguntando: quando essa geração acabar? Vamos ter jogadoras de qualidade? Quanto tempo vai demorar para podermos entender que sem a base, não há futuro?

Essas Brunas devem ser apoiadas hoje, para se desenvolver no esporte, com qualidade e prática, gerando times fortes, que vão dar boas atletas para a seleção continuar sendo forte. Entendo que falta apoio vindo de cima, pois as federações e confederações só pensam nelas quando estão ganhando e em cima.

Não sei quando é um jogo da Seleção feminina sub-20. Alguém sabe? Afinal, existe seleção sub-20 para elas? Torço para que isso mude logo, pois quero muito poder torcer pela Bruna nos campos de futebol, seja com a camisa do Corinthians, do Fluminense ou de qualquer outro clube, e óbvio com a camisa amarela do Brasil também. Se tudo der errado no futebol, Bruna irá terminar os estudos, entrar para uma faculdade e se formar, numa carreira qualquer. Essas coisas que só decidimos depois de já ter escolhido o nosso esporte preferido.

Voltando ao Guilherme, epero que ele tenha muitas alegrias no futebol ainda, principalmente com a Bruna em campo, cantando o hino nacional num estádio lotado aplaudindo a nossa seleção levantando o troféu de Campeãs do Mundo.

Será que dá? Torço que sim, mas só o tempo dirá.

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