Missão Possível

Por Gabriel Gomes

 

Falar sobre os craques é uma tarefa fácil e prazerosa para os amantes do futebol.

Alguns dias atrás, recebi uma carinhosa encomenda vinda de um amigo. A missão era escalar duas seleções com os maiores craques da década de 90.

Congelei a minha vida por algumas horas e tudo ficou em segundo plano. Os craques aguardavam ansiosos, se seriam lembrados ou não. A verdadeira eternidade consiste em ficar vivo na mente das gerações futuras.

Alguns critérios precisavam ser estabelecidos para justificar as escolhas que estavam por vir. Seriam observados 2 princípios: a década em que o jogador se destacou e a sua importância dentro do futebol no contexto dos anos 90.

Esquema tático 4-4-2.

Os goleiros foram escolhas frias e precisas, assim como a posição exige. Ninguém operou mais milagres do que o belga Michel Preud’homme e o Dinamarquês Peter Schmeichel. A unanimidade chegou muito perto da escolha desses dois gigantes. É importante citar que fizeram parte dessa geração grandes arqueiros como Claudio Taffarel e Gianluca Pagliuca.

No lado direito do campo, ninguém foi melhor que Jorginho, então o verdadeiro desafio era citar o outro lateral direito. Pensei em Francisco Arce e Christian Panucci, mas a longevidade e eficiência de Javier Zanetti me seduziram e seu nome foi sublinhado nesse texto. Laterais de estilos diferentes que representavam muito bem a escola sul-americana.

Todos esperam que um canhoto seja craque. Vestir a 6 nos anos 90 era viver na sombra de Roberto Carlos. A bola o respeitava e obedecia a cada comando, ela estava completamente adestrada. Paolo Maldini foi escolhido, seu futebol não era exatamente atraente e fiquei reticente. Porém, entendi que outros fatores definem o futebol. Ninguém foi mais regular e confiável que Maldini.

Laterais e goleiros escalados. Esse time precisa de uma zaga sólida. Franco Baresi é algo indiscutível. Matthias Sammer é intocável. Carlos Gamarra quase perfeito.

Ronald Koeman ou Fernando Hierro ? Ou Mauro Galvão ?

O pensamento noventista demandou uma vanguarda para a defesa. Fomos apresentados ao cabeça de área-volante-marcador. Não tínhamos muitos jogadores talentosos nessa faixa de campo naquele período.

Fernando Redondo e sua elegância carregavam o romantismo de uma Argentina apaixonada por futebol. Franck Rijkaard representava o equilibrio perfeito entre a defensividade e a ofensividade. Pep Guardiola era o volante cerebral e moderno dos dias de hoje, com passes cirurgicos e genialidade comum a meias mais ofensivos. Lothar Mathaus foi um jogador multifunções que começou como armador e se aposentou como líbero. Ganhou a vaga como volante no time da década. A menções ficam com Edgard Davids e La Brujita.

O meio campo é o lugar dos deuses, daqueles que tem por caracterísitica executar o imponderável e desafiar as leis da física a cada lance.

Dieguito foi milagre, era o quadro pintado por um artista transgressor. Os traços dessa obra evidenciavam a fragilidade do ser humano em conviver com seu dom.

Zinedine era a simplicidade e a precisão. O talento e a técnica eram Zidane. Zizou é o filme que precisa ser visto, o livro que precisa ser lido.

Roberto Baggio era o craque italiano que oxigenava a relação do povo italiano com o futebol. Nada menos do que gênio. Não se fabricam mais Baggios na Bota. Triste para o futebol.

Como era inteligente Michael Laudrup. A novas gerações precisam pesquisar e saber quem foi esse cara.

Preciso falar de George Hagi. A genialidade desse romeno nos era apresentada de 4 em 4 anos e, talvez faltasse um pouco mais de regularidade para estar nesse meio campo. Hagi foi o maestro de uma inesquecível Romênia.

A elegância de Luís Figo pelas pontas hipnotizava marcadores e toredores. Paciente e estudioso, aguardava calmamente a hora certa de passar pelo marcador. Era mortal.

Hristo Stoichkov não tinha dotes físicos de um jogador de futebol. Comandou uma Bulgária que surpreendeu o mundo em 94 e faz parte daquele seleto grupo de jogadores inquestionáveis.

Alguém que nasceu pra fazer gol. Ele não driblava, apenas ignorava qualquer resistência. A marra que o futebol precisa. Dizem por aí que Romário ganhou copa sozinho.

Ronaldo foi o melhor atacante que vi jogar.

Desculpe Batigol, não consegui uma vaga nesse time pra você.

Obrigado em confiar essa missão, Dayvid.

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