A Perda de Identidade do Futebol Africano

Por  Gabriel Gomes

Spanish Gonzales Raul, left, is tackled by Nigerian Jay-Jay Okocha, right, during the Spain vs. Nigeria Group B, World Cup, soccer match at the Beaujoire Stadium in Nantes, France Saturday, June 13, 1998. (AP Photo/Thomas Kienzle)

Os africanos foram os únicos que descobriram que o futebol não é coisa séria. Deixaram a disciplina e responsabilidade para as outras coisas chatas da vida.

Meados de 1990 e a escola resolveu interromper as aulas por algumas horas, fazendo todas as crianças se acotovelarem para acompanhar, em uma espécie de mini auditório, o jogo de abertura da Copa do Mundo entre a Argentina, campeã à época, e uma seleção com nome divertido: eram os Camarões. Aquela tarde foi uma espécie de marco, pois fui apresentado ao imponderável que esse esporte pode produzir. Eram muitos gritos, e a Argentina perdia para os Leões Indomáveis, que jogavam um tipo de futebol diferente, descalços de seriedade. Eles estavam ali apenas para se divertir.

A partir deste dia o futebol africano ganhou não só o respeito, mas também a admiração mundial.

A magia continuou e o tempo passou. Fomos presenteados com seleções mágicas e jogadores fantásticos. O que dizer de jogadores como Abedi Pelé, George Weah, o craque Jay Jay Okocha, Kanu, Samuel Eto’o, El Hadji Diouf, entre outros tantos…

Porém, o racional e o previsível desembarcaram em solo africano e roubaram sua essência e improviso.

A última seleção que jogou um futebol genuinamente africano foi Senegal, em 2002, eliminada nas quartas de final pela ótima seleção turca. Acabou encantando a todos que enxergam o futebol como uma tela pintada por um artista talentoso.

Quem estragou o futebol africano ?

A ausência de títulos e conquistas mais expressivas levaram para a África uma caravela repleta de treinadores europeus, com a missão de “chatalizar” o futebol praticado no continente, introduzindo goela abaixo esquemas táticos previsíveis e “vencedores”.

Esses mesmos treinadores indicaram uma enxurrada de jogadores, que acabaram por invadir o mercado europeu, eliminando as fronteiras culturais e tentando disciplinar o garoto levado.

As glórias não vieram e a magia desapareceu. O último jogador africano com relativo reconhecimento foi Didier Drogba, que com a sua cintura dura não representa o jogador africano.

Títulos nunca venderam ingressos. O público paga para ver o artista exibir seu repertório.

O drible, a assistência e o golaço deixam o mundo melhor.

Desejo que essa busca tenha um final em breve e os africanos voltem a brincar com a bola.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s