A derrota da carreira pela carreira

Por Alan Parada

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O “garoto Michael” procurou a Diretoria do Fluminense e pediu a rescisão do seu contrato de jogador profissional de futebol.
Michael, 22 anos, veio de São Francisco de Sales/MG, cidade que, segundo o CENSO-2010, a população era estimada em 5.800 pessoas.

“Michael iniciou a sua jornada no mundo do futebol de forma tardia. Jogador com grande poder de finalização e personalidade, até então ele estudava e ajudava o pai, pedreiro, em sua cidade natal, São Francisco de Sales. Até que um dia, no ano de 2010, foi descoberto por um olheiro durante um torneio amador e foi jogar na equipe de juniores do Rio Preto, em São Paulo. Após se destacar na Copa São Paulo de 2011, foi contratado pelo Fluminense para fazer parte do plantel de juniores do clube. Em 2012, recebeu uma oportunidade e logo no seu primeiro jogo entre os profissionais, no confronto com o Atlético-GO, pelo Brasileirão, deixou a sua marca.”

As palavras acima foram retiradas do site oficial do Fluminense. A estreia, com gol, foi para um público de 8.269 pessoas. Mais do que a população da cidade em que viveu a maior parte da sua vida.
No primeiro ano de profissional, estreia com gol, faz parte do elenco campeão brasileiro. Em 2013, fez os 3 gols da virada do Flu sobre o Macaé pelo estadual e em um outro jogo em que ele também fez gol, foi pego no exame antidoping por uso de Cocaína. Em 2014 retorna e logo na volta, faz o gol da virada sobre o Madureira, pelo Estadual. Também faz o gol que abriu o placar de um Fla-Flu, em pleno Maracanã.
Vamos lá, com calma.
Vira profissional após dois anos jogando bola. Vai para um time grande, num grande centro. Faz gol na estreia como profissional. É convocado para a Seleção Brasileira sub-20. É Campeão Brasileiro. Faz “hat-trick”, gol num dos clássicos mais famosos do mundo, no Maracanã.

Uma vida de sonhos.

Mas aí, vem o porém.
A Droga.
Exceto pelo uso da Cocaína, acho que todos nós gostaríamos de estar no lugar dele.
Esse negócio sedutor, que acaba com muita gente, que é propagado o tempo inteiro na mídia que faz mal, que destrói famílias e vidas.
Mas que é de fácil acesso, principalmente para um garoto rico. E quem usa, sempre acha que não é nada demais, que sai quando quer e que nunca vai lhe causar problemas.
Não sei se ele continua usando, se teve recaídas. Mas é certo que a carreira tricolor promissora foi derrubada por outra “carreira”. A branca.
Após o flagrante e a punição, foi internado em clínicas para dependentes, voltou, foi reintegrado. Foi julgado novamente e parou de novo.
Para atenuar a pena, fez palestras para os jovens das categorias de base do clube sobre os males das drogas e o quanto isso pode atrapalhar no sucesso profissional.

É, garoto. Você teve tudo nas mãos e nos pés. Mas acabou com tudo pelo nariz. Infelizmente.
Torço, de coração, que você tenha se desligado do futebol para voltar às suas raízes, lá em São Francisco de Sales e que isso te traga paz.
A paz que esse furacão de ser jogador de futebol num grande clube, principalmente no Rio de Janeiro, te tirou. Tenho certeza que hoje, a sua vida está um inferno.
Michael acabou virando um caso conhecido, pela notoriedade que o futebol dá, principalmente quando se tem a carreira que esse rapaz teve.
Mas, quantos “Michaels” menos ou nada famosos acabam suas carreiras (futebolísticas ou não) por aí por causa das drogas?
Perdemos mais um talento da bola para as drogas. Perdemos, diariamente, vários talentos da vida para as drogas.
Infelizmente, segue o jogo…

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3 respostas para A derrota da carreira pela carreira

  1. MENDONÇA, Leonardo disse:

    São esses casos que eu lamento pessoalmente.
    Porra, o cara tem uma chance de ouro em um time grande. Não aceito essa balela de que “o vício acabou com ele”. Quem escolheu foi o próprio.
    A mesma coisa do Bernardo no Vasco
    A mesma coisa do Adriano no Flamengo
    A mesma coisa do Jobson no Botafogo.
    Fumem, bebam, usem… Mas o rendimento não deveria ser influenciado por isso.
    Abraço, meus amigos. Mais texto do Fluminense.

    Curtido por 2 pessoas

    • alanparada disse:

      Leonardo, é exatamente isso.
      O cara conseguiu, em 3 anos de carreira, mais do que a grande maioria dos profissionais.
      Ele conseguiu realizar o sonho que muitos de nós tentamos e não conseguimos.
      E escolheu desistir. Ninguém o obrigou a fazer escolhas erradas.
      Ele, e muitos outros, como você bem citou, escolheram desistir.
      Ruim para nós, amantes do futebol. Pior para eles, que ainda tem a vida toda pela frente e terão que conviver com isso.
      Obrigado pela moral e pelos comentários!
      Volte sempre!

      Curtir

    • Leonardo, agora os tricolores estão representados no Pitacos!
      Outros textos virão!

      Abraço;

      Valdez

      Curtido por 1 pessoa

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