Jardim da Saudade

668ba39a-8847-4fa0-b860-2eb60f371081

Texto por: Valdez Gomes

Hoje, dia de Finados, escrevo para lembrar e homenagear aqueles que já se foram, que marcaram época e deixaram sua marca na história.

É com imenso pesar que registro meus sentimentos pelo falecimento, há exatos 13 anos, de alguns grandes personagens que, sem dúvidas, fizeram da minha infância/adolescência/pós-adolescência, uma fase áurea. Como foi bom ter crescido nesse tempo! As crianças de hoje não sabem nada do que é ser feliz. Hoje em dia está tudo tão mecanizado, ou melhor, automatizado, que minhas lembranças ficam ainda mais pesadas e meus pesares mais densos e melancólicos.

Há treze anos, morria na cidade de Santos a alegria e a emoção. Robson, um menino negro de origem humilde, ousou fazer diferente e destacou seu nome e seus frenéticos movimentos pernóicos(Sic) na história deste país. Derrubou gigantes, líderes e deixou para trás os 7 desafios que haviam a sua frente (Só não fez mais do que Hércules e seus 12 trabalhos). Robson, gigante que se fez, ficou conhecido pela alcunha diminutiva de seu nome. Esse rapaz fez muito por meus olhos, cabeça e coração, lembrou ET ao pedalar na sombra da lua e encantar espectadores mundo afora… Rogério que o diga.
Obrigado menino, Gigante Robinho, você encerrou com chave de ouro um ciclo memorável!

Contudo, tamanha ousadia não poderia passar impune. Como um plebeu de oitava classe ousaria confrontar o alto clero, a burguesia do Morumbi, os primeiros colocados?!

E assim, na cidade de Belo Horizonte, matamos de vez nossas alegres tardes de fim de ano. O horizonte que se projetava ao longe, não era nada belo…

Com a justificativa de que a Justiça deveria prevalecer, fizeram-na com as próprias mãos e numa canetada decretaram que os próximos 13 anos ou mais, seriam de céu cinzento e noites sem eclipses. Ironia pouca, era besteira, num mesmo ato conseguiram usar a mão e dar caneta…

Caneta no linguajar dos meninos como o pequeno Robson, para quem não sabe, é lance de destreza, habilidade e valor de quem aplica tal peripécia. Todos se alegram com tal façanha, exceto o canetado. E as MÃOS, apenas uma pessoa pode usá-las em seu ofício. Aquele que “onde pisa, não cresce grama”.

Em 2003, deu-se início a uma nova era e os mineiros com seu Esquadrão Celeste Centenário, fazia a emoção esvair, domingo após domingo, mês a mês, nesse novo “modus operandi” de se renovar a alegria do povo.

A partir de então, só quem poderia sorrir e sonhar, eram os ricos e poderosos. O meros mortais, trabalhadores braçais interioranos estavam vedados da possibilidade de crer em dias de luta e dias de glória, só abastados teriam direito a isso.

Curiosamente, nesse hiato de emoção, foi justamente na cidade praiana do interior de São Paulo que surgiu novamente um fio de esperança por dias melhores. Em meio a era da automatização e transpiração, eis que surge um menino que transpirava Inspiração e Genialidade, ou como ele e seus “parças” mesmo definiram “Ousadia e Alegria”. Por sorte, esse menino, também originário da Vila, conseguiu ser condecorado com a honraria maior destas terras, o nobre título de Maior do País.

Fico imaginando esse garoto, protagonizando embates eletrizantes dos anos 80 e 90…O que não teríamos vivenciado?

Ontem, conhecemos o novo campeão Brasileiro, faltando ainda 5 rodadas para o fim.

Trocamos a emoção pela justiça. Qualquer expressão cabe no futebol, menos justiça, afinal, enchemos a boca para falar que o futebol é o único esporte que o mais fraco têm totais condições de vencer o mais forte.
O futebol não é, aliás a vida não é justa.

Há treze anos, salvo raríssimas exceções, acompanhamos passivamente, o campeonato do “tem, mas acabou”.

Esse texto é In Memorian:

– aos torcedores que como eu, entravam em estado se êxtase quando restavam 8 postulantes ao título.

– aos jogos de eletrizantes mata-mata.

– aos artilheiros de 30gols.

–  aos Campeões Atlético-PR, Coritiba, Guarani, Bahia e seus respectivos vices, São Caetano, Bangu e São Paulo.

– aos Estádios lotados à espera de um milagre perfeitamente possível.

– e por fim, as Finais jogadas nos últimos jogos do ano, como aliás o nome já diz “Finais”.

Morte aos pontos corridos!

1172b9c7-21ee-428a-a91b-b2e599917800 (1)

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Jardim da Saudade

  1. MENDONÇA, Leonardo disse:

    Eu, como fã e grande maioria temos saudade do torneio com semifinais e finais. O ponto corrido , pra mim, é como uma competição fracassada. Não sinto emoção. O Lucas Pratto, no Galo, se acostumou a fazer o “impossível” no mata-mata.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s