Crônica da Meia idade

Por Davi Miranda

cronica

Já fui menino de bola no pé.

Corri pelos campos imaginários da infância. Driblei algumas de minhas dificuldades, outras entraram de sola; convivi com a marcação cerrada de minhas limitações e fiz tabela com a solidão. Era uma história esperando para ser escrita.

Sofri com a hostilidade de minha inexperiência. Consegui, através de táticas ofensivas, resultados similares àqueles de quem põe o time na retranca –  caminhos diferentes que levam ao mesmo lugar.

Também difícil era o aspecto financeiro: muitas vezes os prêmios pelas vitórias não vinham, e diversos planejamentos foram cancelados. Ainda assim, com baixo orçamento, alguns bons resultados foram conquistados.

Nas muitas topadas que dei pelo mundo, não raro me machucaram o coração; e a morte, por vezes, tirou de campo alguém que eu amava. Destes, ficaram apenas minutos de silêncio que jamais chegarão ao fim.

Com os bons amigos consegui alguns dos melhores momentos de minha vida, obtidos através de tabelinhas afinadas, rápidas trocas de passes e grande entrosamento. Um grupo unido é capaz de feitos impossíveis. E, fatalmente, nos cruzamos por aí. São tantas as esquinas. Bebemos um café quente juntos, falamos amenidades, desfilamos maturidade e imaturidade.

Em julho de 2012, na minha 35a temporada, conquistei meu maior troféu: chama-se Davi. Quem lê meu coração, enxerga seu nome. Herdou o estandarte rubro-negro que meu pai me deu, e torço para que um dia esse mesmo estandarte seja entregue a seu filho.

A vida ainda não me deu respostas, mas sempre me traz diferentes ilusões. Continuo sonhando não só com as vitórias, mas também com a forma como elas acontecerão. É preferível perder jogando bonito a ganhar jogando feio.

Cada vez mais tenho a certeza de que não é o futebol que imita a vida, mas a vida quem imita o futebol.

Também já fui de fazer cera, mas hoje peço ao tempo que vá mais devagar. Clamo por minutos de acréscimo. Por favor, um pouco mais, Professor.

Quanto mais bola rolando, melhor.

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Uma resposta para Crônica da Meia idade

  1. MENDONÇA, Leonardo disse:

    é uma bela história e poderia ser uma música
    curtam cada momento e cada pensamento bom
    cerquem-se de boas pessoas e que possam chutar muita bola no asfalto
    grande abraço

    Curtido por 1 pessoa

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