More Than Words

Por Valdez Gomes

20150903115159134134a

*Foto: Agência Dogan/AFP

Em 2014 o Bayern de Munique, vestido de Alemanha, aqui em Belo Horizonte assombrou o mundo com uma lição respeito e solidariedade com a arte de fazer o certo, o seu dever. Pouco mais de 1 ano depois, essa mesma Pátria o clube que serviu de base no passado volta a campo para mais um espetáculo assombroso de solidariedade e respeito, dessa vez com a Humanidade. No papel de capitã do time, a Chanceler Ângela Merkel, abre as portas de sua casa e oferece aos Sírios, se não um Belo, um Novo Horizonte.

A iniciativa dessa senhora e seu povo de abrigar os refugiados da Guerra na Síria, soa, no mínimo, como um pedido de desculpas aos povos que no passado sofreram perseguição, antissemitismo e por consequência o Holocausto. Uma tentativa de passar tudo isso à limpo. Adolf deve estar se revirando em cólera, seja lá onde quer que esteja agora. Estima-se que essa mesma Alemanha tenha exterminado 6 milhões de pessoas nos campos de concentração no período do regime Nazista. Hoje o povo Bávaro, que muito se envergonha deste passado nefasto, oferece asilo político para 800mil sírios e ajuda humanitária na casa dos 6 bilhões de Euros. Seu parceiro e espinha dorsal na Copa passada, o Bayern pegou carona nessa onda altruísta e se comprometeu a ceder parte de sua propriedade para abrigar os desesperados andarilhos africanos.

Essa atitude é inexplicável. Ângela Merkel, que viveu atrás da cortina de ferro, é sensível aos direitos humanos e às condições dos refugiados. Ela alertou que, se a Europa fracassar na crise dos refugiados, essa ligação com os direitos civis universais seria rompida. Além disso, os alemães têm uma tradição de generosidade humanitária: desde os crimes da Segunda Guerra Mundial eles não intervieram mais militarmente, nem no Iraque e na Líbia. Mas como têm um pouco de vergonha de se esquivarem, compensam financiando ações humanitárias.

Mas e os demais, não vão falar nada? A Espanha, o Barcelona, o Real, a Inglaterra, seus Manchesters e o Chelsea, a França, o PSG e o Mônaco, até quando vão se fazer de desentendidos, que não é com eles, que nada podem fazer?  O ônus dessa conta também vos pertence. Por décadas os ricos países europeus exploraram e fomentaram essa guerra, um dia a conta haveria de chegar. As quantias absurdas de Euros, de origens não/mal comprovadas despejadas nesses clubes, muito provavelmente fazem parte dessa engrenagem bélica que gerou o boom de pessoas desamparadas que hoje buscam ajuda em terras no Velho Mundo.

Alguém deveria alertar os assessores dos afortunados jogadores de futebol, de que fazer doações e ajudar a quem precisa, atrai mais seguidores e patrocinadores do que postar fotos nas redes sociais com suas novas aquisições automobilísticas e affaires com modelos vazias.

Nesse momento de catarse social, vale a máxima do Imperador romano Júlio César:

À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta

O simples fato de personalidades e entidades do futebol se posicionarem publicamente em defesa dessa bandeira, já causa mais comoção do que doações de alguns milhões de Euros.

O futebol que já paralisou guerras, selou a paz entre povos inimigos por 90 minutos, entre outros tantos exemplos de benevolência e compaixão, tem a obrigação de dar sua contribuição com um gesto de fair play.

Façam como a Alemanha, derrubem seus muros de Berlim, suas cercas de arame farpado e abram as portas para um jogo amistoso com os desprovidos de esperança.

Onde a dor abundou, pode-se semear a graça.

romario1904a

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para More Than Words

  1. MENDONÇA, Leonardo disse:

    Enquanto vivermos nessa guerra por ter, esqueceremos o que é ser.
    Seu texto é uma ponta de esperança. Parabéns e que façamos algo melhor pelo mundo de nossos filhos. Os seus e os meus.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Caroline Ferreira disse:

    O mundo provavelmente costumava ser um ótimo lugar, quando inabitado.
    O homem possui a tendência de autodestruição. Talvez seja algo básico de sua própria natureza; um método de controle da espécie. Talvez faça parte da natureza de todo ser vivo, até. Mas, os seres humanos conseguem surpreender; os chamados seres racionais conseguem ser extremamente irracionais.
    Não existe “Mudar o mundo para melhor”. Não mais. Nos resta somente conservá-lo, e lutar por uma mudança de atitude do ser humano. Uma vez que este, talvez, já tenha se tornado mais do que uma ameaça para a sua espécie, somente, como para todas. Uma ameaça para o mundo. Só será possível mudar o planeta, quando todos os homens pensarem como um só. A união pode gerar desenvolvimento.
    O mundo poderá partir seu coração de diversas maneiras, eu garanto. Assim como no Vasco, eu ainda acredito que temos chance. Mas sejamos fortes 😉
    “Ter bondade é ter coragem. ”

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s