Do Branco ao Apagão

Por: Davi Miranda

mi_806767623974489

As palavras não querem sair.
Estão rebeldes, sacanas,
zombam de mim.
Escrevi,
refiz,
apaguei.
Parei e voltei. Nada.
Puxei à memória algumas lembranças,
momentos,
pessoas,
nada.
O passado, nublou.
O presente, se foi.
Sobre o que escrever?
Pra que lado ir
quando não há caminho,
apenas uma página em branco?
Letras que teimam
em não ficar,
caem e
retornam
em frases sem fim.
Hoje não há pitaco.

Se eu estivesse numa partida de futebol
seria um dia daqueles:
passes errados,
chutes tortos e
faltas.
Nada dá certo.
Subi ao ataque
e falhei novamente;
estava impedido.
Faço outra falta:
cartão amarelo.
A torcida,
sacana,
zomba de mim.

Tento a tabela,
Forço a jogada,
Passo errado.
Bolas que teimam
em não entrar,
Corro, mas é em vão.
Então
corro
mais.
Afoito,
cometo outra falta
– foi na linha da área!

Penalidade.

Segunda advertência;
cartão vermelho e
chuveiro mais cedo.

Pra mim terminou.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Do Branco ao Apagão

  1. Caroline Ferreira disse:

    Ouvi dizer que para escrever, contamos com 90% de transpiração e 10% de inspiração. Porém, nem sempre isso é tão fácil como parece e a folha branca ou o ecrã vazio que olha para si, é prova. Se faltou estímulo, não me pareceu. Conseguiu fazer do vazio, a inspiração. Parabéns pela fonte de exercício mental, por escrever de forma distinta e por contagiar com as ideias,

    Vamos! Mexam-se. Quero mais!
    Obrigada!!

    Curtido por 1 pessoa

    • Davi Miranda disse:

      Caroline, mesmo que haja inspiração, é difícil direcionar um texto subjetivo para o caminho desejado. A subjetividade é rica, mas também é mais difícil de lapidar e dar forma.
      Tem momentos em que ela dá as mãos à razão e tudo corre às mil maravilhas; outras vezes cada um toma seu caminho e o escritor sofre, como foi meu caso =)

      Muito obrigado pela participação!

      Curtir

  2. Suellen Paes disse:

    Umas vezes e outras me sinto dessa forma durante o dia. Em branco ou em uma partida de futebol perdida. Tento, tento e nada. Como no fim do jogo.
    Gostei demais do texto, Davi.

    Curtido por 1 pessoa

    • Davi Miranda disse:

      Muito obrigado por partilhar suas experiências aqui no blog, Suellen.
      O primeiro passo para melhorarmos é reconhecermos nossas fraquezas;
      saber o momento de recuar e, quem sabe, rir delas.
      Se a vida lhe der limões, faça uma limonada =)

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s