No Peito, no Apito e/ou na Baforada

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Texto Por: Valdez Gomes

É com a sensação de quem está cortando na própria carne que escrevo estas linhas. Para concluir essa tensa análise, precisei, antes de tudo, me desgarrar das amarras que o coração nos coloca.

Vascaíno apaixonado que sou, é duro chegar à conclusão de que há cerca de 15 anos meu time de coração, que já esteve no topo das Américas, hoje é apenas mais um time médio. Alguns amigos frequentadores do Maracanã, que junto a mim costumam subir aos brados a rampa da UERJ, devem estar se revirando em cólera sobre esse primeiro parágrafo. Também dói em mim, mas é uma triste certeza: o Vasco se acostumou com muitíssimo pouco.

A prepotência e arrogância das ultimas direções tem influência direta no atual quadro. Alianças escusas fizeram com que tivéssemos um time odiado por grande parte dos torcedores rivais; assimilamos a ideia de que, time, para ser grande, tem de impor respeito aos árbitros, federações, governos e outras instituições. Ocorre que para os lados de São Januário, respeito tem conotação diferente.

Seria louvável se o respeito fosse conquistado de forma transparente e pacífica mas, como todos sabem, esse tal “respeito” cheira a pólvora – ou melhor, a tabaco.

Qualquer clube que se diga democrático e que não possua oposição livre, estará fadado ao fracasso, dentro e fora de campo.

No Vasco, incutiram na cabeça da torcida – e dos jogadores que por lá passaram nesses ultimos anos – que somos sempre as vítimas, os prejudicados. De fato, algumas vezes fomos. Mas quem nunca foi? Como todo torcedor apaixonado, me revoltei diversas vezes contra esses fatos, mas e aí?! Vamos continuar dormindo nosso sono intranquilo sobre o  lodo das lamentações?

Que tal pararmos de nos vitimizar e passarmos a agir? O vascaíno precisa voltar a edificar Sua Colina, palco de algumas das mais importantes cenas da história do futebol brasileiro.

Olhemos para dentro, e lá no interior encontraremos a resposta dos insucessos recentes. Levemos mais a sério o trabalho do dia a dia, o respeito à camisa (nossa e de nossos rivais, porque odiar a camisa do rival não é sinal de amor à sua camisa), a admiração pelos feitos conquistados e vamos à luta.

Galera, inspirações não faltam em São Januário, basta entrarmos no campo e olharmos ao longe: um monstro, imortalizado, de braços abertos aponta os dedos para cima como quem diz “O céu é o limite!”

Entendo se você não gosta do Romário, metade de nossa torcida não gosta. Então faça o seguinte: mire mais ao fundo e verás a capela que leva o sugestivo nome de Nossa Sra das Vitórias.

Aponta pra fé e rema!

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6 respostas para No Peito, no Apito e/ou na Baforada

  1. Carlos Eduardo disse:

    Excelente texto Valdez, concordo com tudo o que vc expressou. Mesmo sendo rubro-negro como vc sabe, sou apaixonado pelo futebol, pelo bom futebol. Me lembro bem daquele time do Vasco do fim da década de 90…uma seleção, era bonito ver aquele time em campo! Até eu me surpreendi na final do mundial entre Vasco x Real Madrid, chateado no fim porque o Vasco perdeu; Felipe destruiu naquele jogo. Como vc disse, metade da torcida do Vasco torce o nariz para o Romário, mas ele foi responsável pela maior virada da história do clube: aquele 4×3 sobre o Palmeiras, ainda no velho Parque Antártica, depois de estar perdendo o primeiro tempo por 3×0 e virar com 4 gols no segundo sendo 3 do baixinho. Ser flamenguista não significa odiar seu rival, posso não gostar por ser o Vasco, mas posso admirar seus feitos com o bom futebol e vice versa…aliás, bom seria se todos pensassem assim. Pra fechar, o Vasco se acostumou sim com o pouco, assim como o Flamengo; times gigantescos, de uma força monstruosa vindo das arquibancadas e que infelizmente foram estirpados por administrações criminosas…

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    • Grande Carlos! Complementou com maestria meu Pitaco.

      Abraço; Valdez Gomes

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    • Ismael disse:

      Excelente publicação, Valdez! Enfim alguém que consegue deixar o coração de lado e fazer uma análise imparcial e coesa.
      É sempre bom ter motivos para zoar os amigos “rivais” e ao mesmo tempo lamentável que ano após ano, os times do Rio não briguem por títulos (com exceções), e sim para se manterem na 1ª divisão do Brasileirão.

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  2. Danúbia disse:

    Excelente texto.Toda a verdade narrada de ponta a ponta.Triste situação estamos passando.

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  3. Sant'Ana disse:

    Excelente texto Valdez. Retratou a realidade de nossos principais clubes cariocas. Parabéns !

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  4. Elaine disse:

    Acho que essa parada de se acostumar com pouco é uma tendência dos times do Rio como um todo. Dificilmente a gente vê os clubes cariocas ganhando vários títulos por ano.

    Quanto ao ódio dos times rivais sobre o Vasco, acho que tem a ver tanto com o retorno do Eurico Miranda quanto com o legado deixado por ele, que é um dos maiores escroques do futebol brasileiro. Alguns torcedores, por falta de informação, ou por não quererem enxergar mesmo, acreditam que ele é o cara que faz o Vasco ganhar título. Até pode ser, mas a troco de quê? Não creio que um clube que trata campeonato como negociata seja digno de respeito.

    Infelizmente tá difícil tratar o futebol com imparcialidade num país onde a corrupção está instalada na raiz das confederações desportivas.

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