Troco Life

Por Valdez Gomes

 

chape

 

Sou carioca, vascaíno, filho de uma mineira e um paraibano (ambos botafoguenses). Portanto, na teoria, não deveria ter nenhum sentimento mais forte que a simples consternação com o sofrimento causado pelo trágico fim dessas 71 pessoas que se foram na madrugada de terça.

Outras tragédias como essa já ocorreram, mas nenhuma delas me deixou tão comovido. Imaginei que esse sentimento fosse universal – e em certos momentos é. Atletas, clubes, músicos, artistas, muitos prestaram suas condolências aos familiares e amigos das vítimas.

Tudo corria dentro da normalidade, afinal, numa catástrofe dessa proporção, o mínimo que se espera de qualquer pessoa é compaixão.

Mas a humanidade é uma espécie surpreendente. Somos capazes de atitudes grandiosas como a dos jogadores, dirigentes e torcedores do Atlético Medellín. Contudo, por outro lado, existem aqueles que teimam em nos lembrar que somos falhos.

O brasileiro, em especial, parece craque nisso. A contagem dos corpos mal havia sido encerrada e já víamos as primeiras mostras do quão respeitosos somos. É impressionante como algumas pessoas viram a página, assim, com tanta facilidade.

Dirigentes de futebol anunciaram contratações – acorda, porra! Não há negociação que não possa esperar.

O outro tentou comparar o drama das famílias que perderam seus entes na queda do avião com o risco de seu clube ser rebaixado – seu idiota! Caindo seu time, ano que vem ele volta, mas, e os caras que foram e não vão retornar para casa?

Pessoas replicam “piadas” alusivas à tragédia como se houvesse alguma graça – e você, está rindo de quê?! Onde está a graça?!

Políticos votaram medidas em causa própria na calada da madrugada… como se nada tivesse acontecido, normal… fazem isso o ano inteiro.

Tudo isso sem citar a provável causa da desgraça que abateu a cidade de Chapecó… não houve falha mecânica e tampouco humana. A queda do avião foi causada por falha de caráter. Não há dúvidas. O piloto/dono da aeronave arriscou as vidas de dezenas de pessoas por ganância, e omitiu à torre de comando a real situação sobre o problema que ele causou e que (talvez) poderia ter contornado.

Por sorte, a maioria esmaga esse tipo de gente. E assim vamos tentando reconstruir o que sobrou.

A Chapecoense precisará mais do que suas próprias forças e, inclusive, diversas entidades já se propuseram a ajudar. Na real, quem mais precisa são os familiares dos atletas, jornalistas, comissão técnica, pessoal de segurança e outros envolvidos.

Associando-nos ao clube não vamos ajudar a amenizar a dor dessas pessoas.

Nesse momento, conforto espiritual (seja você religioso ou não), compaixão e respeito valem mais do que qualquer contribuição financeira.

Não tenho religião e tampouco sei rezar, mas ficam aqui os meus mais sinceros e sofridos sentimentos.

Muita força aos sobreviventes e familiares.

Muchas gracias, Medellín!

 

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Sprint Final

Por Valdez Gomes

No último Domingo, após relutar e postergar um bocado, resolvi prestigiar a tal Paralimpíada. Peguei minha pequena e tomamos o rumo do Estádio Olímpico Nilton Santos (diga-se de passagem, justa homenagem ao ídolo alvinegro que não vi jogar, mas sempre simpatizei com sua pessoa).

A competição estava marcada para iniciar às 10hs, nós chegamos às 11hs, a tempo de ver o brasileiro vencer os 100m rasos de sua categoria. Bacana ver um compatriota ser campeão nos braços da torcida. E nós estávamos posicionados bem em frente a linha de chegada… Trouxemos sorte!

No Atletismo, assim como na Ginástica, as competições ocorrem simultaneamente. E por esse motivo, logo em seguida, vieram as provas de resistência. Assistimos a duas delas, vencidas por dois Quenianos. A dinâmica dessas provas foi mais ou menos a mesma. Na primeira delas, assim que foi dada a largada, um egípcio tomou a ponta e abriu larga vantagem, todo o restante ficou para trás, inclusive o campeão da prova, que nos últimos 600 metros da prova, acelerou as passadas trazendo consigo o medalhista de prata. O Egípcio penou para completar o pódio.

Na prova seguinte, também de 1500m, um brasileiro abriu pequena vantagem e ditava o ritmo da corrida, dessa vez eram os deficientes visuais que competiam, a dupla brasileira levou a torcida a loucura, a cada passada, nós dá arquibancada, empurrávamos nosso atleta e seu guia. Sem perder o foco, a dupla do Quênia, crescia na prova, o nervosismo tomava conta dos brasileiros, que ao contrário do atleta, via a distância ser reduzida metro a metro. Faltando cerca de 400m para a linha de chegada, a dupla do Quênia tomou a dianteira e deixou o brasileiro com a prata. Tudo bem, na Paralimpíada, a máxima do “o que vale é competir” é levada à risca e por isso, não rara são as vezes em que o último colocado é mais ovacionado que o campeão.

cavalos

Quarta-feira, mudei de canal e parei para assistir o jogo da TV, aquela que intitularam de final antecipada. Palmeiras e Flamengo frente a frente. O resultado de empate me trouxe de volta àquela manhã no Engenhão. A exemplo do que aconteceu na pista de atletismo, o campeonato brasileiro ganha contornos de uma prova de resistência, onde o Brasileiro que abriu vantagem é o Palmeiras, o Queniano me parece o Flamengo e um pouco mais atrás, ainda que o Galo tenha encostado na pontuação, chega o segundo pelotão, formado pelo Atlético, Santos, Corinthians e Grêmio.

O Verdão que outrora corria com vento na cara, agora sente cada vez mais perto o aroma do Rubro-negro. A meu ver, o Porco vai ser ultrapassado nos momentos finais dessa disputa. O Urubu parece mais inteiro e focado em busca do título.

Enquanto isso, torcidas do Palmeiras e do Fla, fazem suas apostas. A julgar pela partida de quarta-feira, esse fim de semana promete alternância de posições da frente. E se esse for o momento do último gás até a linha de chegada, eu diria que os cariocas têm tudo para levar o ouro.

Ah, só para registrar, Domingo naquela prova dos 1500m, mesmo sabendo que o queniano estava muito mais inteiro para vencer, eu torci pelo brasileiro.E dessa vez, não é diferente. Para mim, o Palmeiras é o Brasil no Brasileirão!  Corra Verdão!

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Ponto e Vírgula

Por Valdez Gomes

Amarrou as chuteiras, ergueu a cabeça e seguiu adiante. Cumprimentou cada um dos seus companheiros, amigos, desafetos, todos cabiam naquele último abraço antes do jogo de despedida do clube que defendeu por alguns anos.

Rocha, como era chamado em campo, pediu a palavra e discursou brevemente sobre sua passagem pelo clube, onde fez títulos e conquistou amigos. Articulado como poucos naquele universo de “fazer o que o professor mandar e ir em busca dos 3 pontos”, falou de metas, conquistas, desafios e de algo que para ele, naquele momento estava concluindo… mais um ciclo em sua vida profissional.

Ali, naquele meio de campo, por vezes, no ufanismo de torcedor, não faltou quem o chamasse de “nosso Zidane”. Por ironia do destino, seu sobrenome era antagônico à leveza com que se movimentava em campo. Valdir, seu amigo pessoal e fã de seu estilo, dizia que “ele não tocava a bola, comunicava-se com ela”.

No jogo derradeiro, não fizera nada diferente do que sempre fez. A mesma categoria da estreia e o empenho das decisões permeou a partida de despedida. Seus fãs ainda não sabiam, mas ali, Rocha encerrava mais um ciclo vitorioso. Mais tarde a notícia veio à tona, dividindo opiniões. Houve quem o crucificou e também os que o apoiaram.

Ao final do jogo, na segurança de quem sabia o que estava fazendo, encarou mais uma entrevista coletiva… a última defendendo as cores do clube. A tônica não poderia ser outra, as perguntas talvez sim. Entre tentativas de arrancar a declaração bombástica ou descobrir o lastro de pólvora que o fizera sair, uma jovem repórter captou o espírito da coisa e, com ar espirituoso que a nova juventude carrega consigo, foi precisa:

– Então é isso, o que você está nos dizendo é que “tem, mas acabou”?

Rocha encarou-a por alguns segundos e, para ela, como quem aconselha, respondeu:

– Ao longo de minha carreira, driblei, fui driblado, bati, apanhei, sofri, sorri, perdi e conquistei. Tudo isso faz parte do jogo da vida. Sempre que eu me perguntava o motivo de estar ali, tinha resposta para me dar. O objetivo traçado na ponta da caneta que assinou meu contrato guiava-me pelas linhas do campo. Eu fazia parte do projeto do clube, o clube era parte dos meus projetos. Tínhamos metas comuns. Não era só mais um jogo, planejamos juntos o início, meio e fim deste ciclo. Mas outro dia, após mais uma vitória nossa, voltei a me questionar… O que estou fazendo aqui? – Nesse momento, Rocha fez uma pausa, bebeu um copo d’água, voltou seu olhar para a menina, que ávida por mais, o fitava com admiração.

Então, com a plena certeza de quem indica onde fará a infiltração da bola entre os, zagueiros, concluiu:

-Nesse dia, a resposta não foi a de sempre. Aliás, eu não tinha resposta. Eu titubeei. E quando o amor vacila, é sinal de que já não há razão para estar ali. E como você bem colocou… ainda tem, mas por aqui acabou. Em breve mando notícias sobre meu novo amor. Obrigado a todos, boa noite! Até breve!

E assim deu ponto final na entrevista e um ponto e vírgula na carreira.

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Iconoclastas

iconoclasta

Por Davi Miranda

Sem apoio, remando contra a maré, no ambiente hostil e carente de suporte que é o esporte brasileiro, emerge, ainda que raramente, um ou outro vencedor. De pés descalços e mãos calejadas, esses atletas bebem na fonte das dificuldades. No início o foco não é ganhar, mas permanecer. A falta de recursos pede adaptações; a solidão pede perseverança; as quedas pedem fortalecimento.

Cedo aprende-se a levantar: de tombo em tombo, de não em não, esses atletas vão se moldando na poeira do destino. Como bruta flor que brota entre as pedras, contrariando conselhos e previsões, levado por um redemoinho carregado de esperanças, surge dos caminhos mais improváveis uma medalha de ouro. Assim nascem os campeões olímpicos no Brasil.

Depois de atingido por um raio divino, a mídia, tão boazinha, trata de perfumá-lo e entregá-lo em nossas casas na embalagem mais reluzente, alçando-o ao status de novo herói. Nós, quase que instantaneamente, passamos a adorá-lo e, como que laureados, dormimos no embalo do sonho alheio.

Mas, passada a inebriada euforia das conquistas, volta-se ao ciclo das disputas. E bastam alguns resultados ruins (ruim, nestes casos, é quando o ouro não vem) para que passemos a contestar nosso objeto de adoração. Mas, tão difícil quanto chegar ao lugar mais alto do pódio, é manter-se nele. E os sofridos atletas, que deram a vida por ouro, veem-se obrigados a conquistar o impossível novamente.

Para alguém de alto nível se manter na ponta é extremamente difícil, quase uma utopia. A história conheceu poucos desse quilate, tão poucos que, de cabeça, podemos lembrar seus nomes. E, se para estes já é tão complicado, imagine para nossos improváveis campeões. Mas não aceitamos menos do que um dia já nos entregaram.

Após sucessivos insucessos, da mesma forma que somos tomados pela euforia das vitórias, temos prazer com o escárnio e a zombaria àqueles que alçamos à condição de ídolos. E assim,  sem dó nem piedade, com a ajuda da mídia, inclemente, derrubamos as enormes estátuas que um dia construímos.

Nosso país se assume subdesenvolvido, porém, paradoxalmente, repudia veementemente as derrotas. Pódios, desde que no lugar mais alto; medalhas, somente as douradas. Somos derrotados por natureza, mas refutamos o derrotismo.

A propósito, ontem Robson Conceição ganhou a medalha de ouro no boxe.

 

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Com Muito Orgulho

Por Alan Parada

torcida

Os Jogos Olímpicos começaram e o tal do Espírito Olímpico finalmente chegou à Cidade Maravilhosa.

Com ele, também os torcedores nas arenas.

Cada um com sua forma de torcer. Cada esporte à sua maneira.

Mas aqui é o país do futebol, na cidade do maior clássico do mundo, que sedia o maior espetáculo da terra…

Sejam bem-vindos às nossas arenas. Aqui vão algumas regras básicas para os torcedores:

1) Façam barulho!

2) Torçam até o final para os brasileiros (com muito orgulho, com muito amor);

3) Se o Brasil não estiver competindo, torça para a zebra;

4) Pode torcer para os fora-de-série também (Phelps, Bolt, Dream Team e etc);

5) Seja irônico e festeiro. Esporte é saúde e bom humor faz bem para a saúde;

6) Torça contra a Argentina.

Essas são as regras BR para torcer.

Valorizamos o auge do esporte, o ponto, o gol. Comemoramos muito quando acontece. Nada de bater palminha apenas… Tem que ter grito e levantar da cadeira.

Inclusive, deveria ser proibido cadeiras em arenas esportivas no Brasil. Todos de pé, como num Maracanã lotado, digno de canal 100.

Gritos zoeiros também são bem vindos, como “vai morrer” nas lutas, ou “fura ela” na esgrima.

Os gringos reclamam, mas adoram isso! Eles queriam ser como nós, mas não conseguem.

Pergunte para os atletas da seleção de handebol masculino do Egito, que venceram a favorita Suécia por um gol de diferença, marcado no fim do jogo, se eles não adoraram ser abraçados pela torcida?

Se não fosse para ter torcida, para que colocar arquibancadas? Se for para ficar sentado e calado, que fique no sofá de casa, assistindo pela TV.

Imagina o “Gol do Pet” sendo apenas aplaudido pela torcida do Flamengo e admirado pela torcida do Vasco? Ou mesmo o Renato Gaúcho comemorando a “Barrigada” com um singelo soco no ar? E a torcida do Palmeiras reconhecendo e aplaudindo o Romário, depois de levar a virada na final da Mercosul com 3 gols do Baixinho?

Agora pense no contrário.

Imagina uma final de Mundial, a torcida gritando “fura ela!”, e no incentivo vem o ponto decisivo para o título?

Ou a galera fazendo aquelas palmas tradicionais antes das cobranças de falta, num saque do tênis de mesa?

Eu acho mais legal que o futebol contamine os outros esportes que o contrário.

Veja o exemplo do UFC. O evento esportivo que mais cresceu no Mundo nos últimos anos adotou o Brasil como segunda casa; também por conta da torcida. Eles não devem estar errados…

Em 10 dias os Jogos acabam e os atletas voltarão às suas casas.

Tenho certeza de que na primeira competição em que receberem apenas aplausos, sentirão saudade do barulho e da cantoria daqui.

E a gente vai seguir o jogo. Com foguetes e bandeiras.

 

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Cidade dos Deuses

Por Valdez Gomes

 

A história é parecida com a de milhões de outros tantos. Beira o clichê, de tanto que já ouvimos e nos emocionamos. Marta, Paula, Daiane, Cristiane, Mariana, Rafaela… Um exército de meninas e meninos, ali, a espera de uma oportunidade daquela mão amiga estendida. Mas por onde anda toda essa boa vontade nesse hiato de 4 anos?

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A comoção em torno da menina, que há quatro anos era execrada por um mal resultado em Londres, é algo que me causa pena… Pena de nós mesmos. Mais do que qualquer outro povo, nós, brasileiros, somos imediatistas. Não aceitamos ficar atrás, nem mesmo de gente melhor preparada que os nossos compatriotas.

Mas, em contrapartida, o que estamos fazendo para que o próximo hiato seja mais dourado? O que estamos plantando para ser colhido em Tóquio? Empresários pseudo-entusiastas hibernarão daqui a 3semanas e só voltarão a acordar às vésperas de carimbar o passaporte para o Japão.

Quem por ventura conseguir, com muito suor e sacrifício, por no pescoço uma medalha, talvez consiga algum qualquer para se preparar com um pouco de dignidade, mas, e o restante? Aqueles que bateram na trave, caíram ou foram derrotados pela desigual falta de estrutura, como ficam?

Se continuarem na luta, já será uma grande vitória, porém, como diz o ditado, “ninguém é forte sozinho”, nem mesmo os que praticam esportes individuais. Alimentação, viagens, material, staff não são de graça. E, mesmo quando são, quem bota comida na mesa de toda essa gente envolvida? Atletas e treinadores também pagam conta de energia, água, moradia…

No Brasil somos todos olímpicos, mas, de quatro em quatro anos. Nesse intervalo, “vá trabalhar vagabundo!”; “você é a vergonha da sua família!”; “larga de ser besta e vá pegar uma enxada!”.

É assim que são vistos os macacos que fracassam em Londres, Pequim e no Rio.

O esporte por aqui é visto como hobby, vagabundagem, preguiça de estudar. Lá fora, os milionários jogadores da NBA são incentivados a seguir em frente, dentro de alguma faculdade, jogando e estudando. Na Rússia, o Governo financiou um projeto de doping; trapacearam, porém, por mais absurdo que possa parecer, até ali eu consigo ver interesse público nas pessoas daquele país. Nada louvável, mas ali não estão desviando verba da saúde pública para paraísos fiscais. Certo ou errado, existia um projeto.

Por aqui é cada um por si e as críticas são contra todos. E, enquanto isso, a cada ciclo olímpico, dezenas de novos Phelps nadam de braçada, deixando-nos para trás.

O recordista de medalhas é, sem dúvida, um monstro. Mas Rafaela Silva, a macaca, a vergonha da família, é uma monstruosidade, um exemplo (mais um) a ser seguido. Obrigado, Rafa! Muito obrigado família Silva, por enxergar e acreditar no potencial dessa menina!

Da Cidade de Deus do Rio de Janeiro para a Cidade dos Deuses do Olimpo, Rafaela Silva é a mais nova menina dourada do pedaço.

Parabéns, Rafa!

rafaela ouro

 

 

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Pequenas Riquezas, Grandes Negócios(?)

Por Victor Mesquita

 

E no meio do caminho, Diego Ribas…

Graças ao presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, podemos hoje criar um novo posto de trabalho: comentarista de contratações do Flamengo.

Isto se deve à excelente gestão financeira, que encerrou o ciclo das vacas magras na Gávea e fez com que a imprensa ficasse em polvorosa, querendo saber como o Flamengo, que outrora espantava jogadores por sua inadimplência salarial, agora consegue contratar sem maiores problemas.

Enquanto na era do então presidente Márcio Braga cansávamos de ouvir que o dinheiro havia acabado, hoje, no mandato de Bandeira, dinheiro é o que não falta (ou ao menos é bem utilizado).

As finanças estão em ótima situação, as dívidas sendo pagas e estão investindo pesado no elenco rubro-negro.

Elenco esse que ainda não se tornou um time, pois não há homogeneidade entre os rubro-negros; faltam ajustes, mas o caminho está sendo percorrido. E, no meio deste, não encontramos somente pedras, mas também Paolo Guerrero, Leandro Damião – e agora Diego Ribas.

Ao contrário de seu parceiro mais famoso – Robinho –, Diego não teve uma passagem pela Europa tão noticiada. Não jogou em clubes tão expressivos para a mídia, mas, talvez, tenha sido a peça mais importante onde atuou. Principalmente pelo Wolfsburg, da Alemanha.

Aos 31 anos, Diego deixa de ser o Menino da Vila e retorna ao Brasil para se tornar o Homem do meio campo da Gávea, posto esse que, desde 2009 com Petkovic, encontra-se vago.

Com habilidade e inteligência de sobra, a esperança é que Diego seja a peça que falta ao quebra-cabeça do time da Gávea, o cérebro do time, aquele que fará o time dar liga, jogar e alcançar novo patamar.

Seria a hora de deixar de lado o 4-3-3 e investir num esquema em que o time possa ser mais compacto?

diego damiao guerrero

Explico: hoje o Flamengo possui cabeças de área mais habilidosos, como Mancuello e William Arão – que inclusive marca vários gols e aparece como elemento surpresa dentro da área -; e ainda há Cuellár, que poderia ser um falso líbero, num 3-5-2 similar ao utilizado em 2009.

Laterais rápidos como Jorge, Rodinei (ou Pará), com mais liberdade para atacar e,  graças aos cabeças de área, menos responsáveis por marcar.

Zagueiros de qualidade, alternando a “dupla” entre um rápido e um mais lento (porém experiente), fazendo com que se completassem.

E um atacante como Guerrero, que neste esquema poderia subir de produção rapidamente.

Por outro lado, jogadores como Éverton, Sheik e Marcelo Cirino ficariam no banco e poderiam substituir os pontas, uma vez que não seriam tão necessários e não vêm fazendo por onde.

E Diego? Seria o cara da visão de jogo.

O investimento foi feito, mas não existe almoço grátis: em troca queremos bola na rede!

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